
A crise financeira da Santa Casa de Campo Grande chegou ao limite nesta semana. Sem insumos básicos para cirurgias de urgência, a direção do hospital registrou um boletim de ocorrência para alertar que 70 pacientes internados na ortopedia correm risco de morte. O colapso no atendimento ocorre em meio ao atraso de repasses da Prefeitura de Campo Grande, que agora foi obrigada pela Justiça a transferir R$ 46 milhões à instituição em até 48 horas.
Na terça-feira (25), a diretora clínica da Santa Casa, Izabela Guimarães, o chefe da ortopedia, João Antônio Pereira Mateus, e o diretor financeiro adjunto, Paulo Guilherme Gutierrez Marios, procuraram a Polícia Civil para relatar a situação. Segundo os médicos, o hospital está sem nenhum material ortopédico disponível para procedimentos emergenciais. As cirurgias foram suspensas e o setor de ortopedia foi fechado temporariamente para novos atendimentos.
A superlotação também agrava a situação. O pronto-socorro, que deveria atender 13 pacientes, estava com 80 internados de forma improvisada. A direção da Santa Casa já havia informado a prefeita Adriane Lopes (PP), o Ministério Público, o Governo do Estado e outros órgãos de controle sobre a situação crítica, mas afirma que nenhuma solução foi apresentada até agora.
No boletim de ocorrência, os médicos relataram que o colapso decorre da falta de pagamentos a fornecedores, causada pelo déficit financeiro da unidade. Em 2023, o hospital acumulou um rombo de R$ 158 milhões. A Santa Casa é responsável por mais da metade dos atendimentos hospitalares de média e alta complexidade de Campo Grande.
Diante da crise, o hospital entrou com uma ação na 3ª Vara de Fazenda Pública pedindo o bloqueio judicial de valores. O juiz Marcelo Andrade Campos Silva determinou que a Prefeitura de Campo Grande pague R$ 46.381.533,60 em até 48 horas, sob pena de sequestro do valor diretamente dos cofres públicos.
Outro ponto citado pela Santa Casa é a falta de repasses de verbas federais referentes à pandemia de COVID-19, que ainda tramitam judicialmente no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O hospital afirma que os valores são reconhecidos judicialmente, mas seguem pendentes de liberação.
Enquanto a decisão judicial não é cumprida, a Santa Casa orientou que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) não envie novos casos graves, diante da falta total de condições para atendimento emergencial.