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De herói da redemocratização a réu condenado: Fernando Collor é preso após decisão final do STF
Ex-presidente foi detido antes de embarcar para Brasília e começa a cumprir pena de quase nove anos por corrupção e lavagem de dinheiro
25/04/2025 11h17
Por: João Paulo Ferreira

O ex-presidente Fernando Collor de Mello foi preso nas primeiras horas desta sexta-feira (25), no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, em Maceió (AL), enquanto se preparava para embarcar rumo a Brasília. A intenção era se entregar voluntariamente, mas a Polícia Federal o abordou por volta das 4h, cumprindo ordem de prisão emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A detenção marca o desfecho de um processo que se arrasta há anos e culminou, em maio de 2023, na condenação de Collor a 8 anos e 10 meses de reclusão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Todos os recursos da defesa foram esgotados, o que autorizou o início do cumprimento da pena.

De acordo com a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Collor teria recebido cerca de R$ 20 milhões em propina entre 2010 e 2014, pagos pela empreiteira UTC Engenharia. Em troca, o ex-presidente teria usado sua influência política para favorecer contratos da empresa com a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras na época.

As investigações apontaram que Collor articulava a nomeação de diretores alinhados a seus interesses dentro da estatal. Esses indicados facilitavam o fechamento de contratos com a UTC, enquanto os valores ilegais eram repassados por meio de empresas de fachada, dinheiro em espécie e depósitos fracionados — estratégia comum para ocultar a origem ilícita dos recursos.

Após a prisão, Collor foi levado à Superintendência da Polícia Federal em Maceió, onde segue sob custódia. A permanência na capital alagoana é provisória: o STF ainda deve decidir, em sessão virtual nesta sexta-feira, qual será o destino definitivo do ex-presidente para o cumprimento da pena.

A maioria dos ministros da Corte já se manifestou favoravelmente à manutenção da prisão. A decisão de Moraes será submetida ao referendo dos demais integrantes do Supremo até às 23h59 de hoje.

Fernando Collor foi o primeiro presidente eleito por voto direto após a ditadura militar. Sua vitória nas urnas, em 1989, simbolizou o retorno da democracia. No entanto, seu governo terminou de forma dramática: renunciou em 1992, em meio a um processo de impeachment por corrupção, e teve os direitos políticos suspensos por oito anos.

Mesmo assim, retornou à política em 2006 como senador por Alagoas, cargo para o qual foi reeleito em 2014. Agora, mais de três décadas após ter comandado o país, volta ao centro das atenções, mas por um motivo bem diferente.

A defesa do ex-presidente afirmou que respeita a decisão judicial, mas classificou a prisão como “injusta e desproporcional”. Os advogados já estudam recorrer a instâncias internacionais em busca de uma revisão da sentença.