
A CCR, rebatizada de Motiva, continuará explorando a BR-163 em Mato Grosso do Sul até 2054, após vencer sozinha o leilão realizado nesta quinta-feira (22) na B3, em São Paulo. O contrato assegura mais 29 anos de concessão sobre os 845,9 km da rodovia, entre Mundo Novo e Sonora, e mantém o pedágio em R$ 7,52 por 100 km — um dos mais caros do país.
Sem concorrência, a empresa não precisou oferecer desconto, perpetuando uma tarifa criticada por motoristas, caminhoneiros e entidades do setor. O presidente do SetLog-MS, Claudio Cavol, resumiu a frustração: “o segmento de transporte está de luto”.
Apesar de ter assumido a concessão em 2014 com a promessa de duplicar toda a rodovia até 2019, a CCR entregou apenas cerca de 17% do previsto. Mesmo assim, seguirá como responsável pela BR-163, agora com um contrato que reduziu a obrigação de duplicações: dos 845 km, só 203 km serão duplicados, além de obras adicionais como 147 km de faixas extras, 28,8 km de contornos e 55 obras de arte especiais.
O Ministério dos Transportes e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) justificaram a renovação com o modelo de “leilão de otimização”, que priorizou a continuidade da concessão e novos investimentos. A CCR promete aplicar R$ 16,5 bilhões, mas os usuários seguem pagando caro e enfrentando longos trechos de pista simples, com riscos à segurança e altos custos logísticos.
O histórico de descumprimento da concessionária revolta quem depende da rodovia para trabalhar. O setor produtivo, especialmente o agronegócio e o transporte de cargas, lamenta a renovação sem mudanças concretas nas condições que afetam diretamente a competitividade e a segurança no estado.