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Apesar de alegar crise financeira, Adriane paga bônus a parentes e secretárias; salários chegam a ultrapassar R$ 40 mil

Pagamentos extras foram retomados pela prefeita e dobraram salários de aliados próximos

08/07/2025 às 14h25 Atualizada em 08/07/2025 às 16h32
Por: Redação
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Apesar de alegar crise financeira, Adriane paga bônus a parentes e secretárias; salários chegam a ultrapassar R$ 40 mil

"Aos amigos, os favores".

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), voltou a pagar gratificações a aliados próximos, incluindo parentes e secretárias municipais, elevando salários acima do teto permitido no funcionalismo público, que é de R$ 26.943,05. Os valores aparecem no Portal da Transparência como “outros pagamentos” e foram alvo de polêmica durante a campanha eleitoral, quando o esquema ficou conhecido como “folha secreta”.

Os dados de maio mostram que os bônus dobraram o salário de figuras do alto escalão da prefeitura. A secretária de Gestão, Andréa Alves Ferreira Rocha, recebeu R$ 40.330,30 no mês — R$ 19.028,90 de salário e R$ 21.310,40 de adicional. O valor total ultrapassa em mais de 49% o teto do funcionalismo.

Outra beneficiada é a chefe da Casa Civil e concunhada da prefeita, Thelma Fernandes Mendes Nogueira Lopes, que recebeu R$ 36.862,32 em maio. O valor corresponde ao subsídio de R$ 19.028,90 somado a um bônus de R$ 17.833,42.

A secretária de Fazenda, Márcia Helena Hokama, também aparece entre os maiores pagamentos. Ela recebeu R$ 35.057,90, sendo R$ 16.029,00 pagos como “outros pagamentos”. Já a assessora especial Valéria Maria Barbosa Régis Machado, prima da prefeita, teve salário de R$ 30.422,00, com R$ 15.273,65 de adicional.

Os pagamentos incluem ainda a vice-prefeita e secretária de Assistência Social, Camilla Nascimento, que somou R$ 35.928,11 em rendimentos — R$ 22.334,53 de subsídio e R$ 13.593,53 de adicional.

O ex-vereador Darci Caldo, secretário de Articulação Regional e condenado por corrupção em Dourados, também foi contemplado. Em maio, recebeu R$ 31.100,60, sendo R$ 12.071,71 a título de “outros pagamentos”.

A retomada da “folha secreta” ocorreu mesmo após o Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público instaurarem procedimentos para investigar a prática. Por determinação do TCE, a prefeitura passou a publicar os valores, mas dificultou o acesso: para consultar os bônus, o cidadão precisa saber o nome completo, a matrícula e o CPF do servidor, exigência que não ocorre para o salário normal.

Questionada sobre os pagamentos e a exigência de dados para consulta, a prefeitura respondeu apenas que o portal “segue modelo conforme estabelecido no TAG com o TCE-MS”.

 

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