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“Encontrei muitas formas de me sentir bonita depois que perdi todo meu cabelo”, diz jovem diagnosticada com alopecia areata
“Encontrei muitas formas de me sentir bonita depois que perdi todo meu cabelo”, diz jovem diagnosticada com alopecia areata
22/05/2022 16h53 Atualizada há 4 anos
Por: Redação
Foto: Reprodução

Jada Pinkett Smith, atriz norte-americana

Você sabe qual é a quantidade de queda de fios de cabelo por dia considerada normal? E o especialista que cuida disto, sabe qual é? Alopecia, já ouviu falar sobre este assunto? Caso algum colega de trabalho tenha alopecia, você sabe como auxiliá-lo?

A alopecia provoca a queda de cabelos e pelos entre homens e mulheres em qualquer parte do corpo. Essa condição pode surgir por influências do estado emocional, genético, traumas físicos e quadros infecciosos.

Para saber mais sobre este assunto o Dr. Alexandre Moretti, dermatologista, e Fernanda Lima, empresária, diagnosticada com alopecia areata, falam de informações importantes. Confira!

O que é alopecia?  

Dr. Alexandre Moretti 

É a perda de pelos e cabelos, de qualquer parte do corpo. Temos vários tipos de alopecia, a mais comum é a androgenética, que nada mais é que a calvície, masculina ou feminina.

Alopecia androgenética 

Dr. Alexandre Moretti 

É quando ocorre uma miniaturização e afinamento do fio, principalmente nos homens, por conta da testosterona e di-hidrotestosterona, especialmente em áreas do couro cabeludo. Nas mulheres o porquê ocorre, a fisiopatogenia, ainda é incerta. Os que têm essa condição geralmente possuem uma história familiar, é algo genético.  

Existem também pacientes que começam a ter a alopecia androgenética de forma mais precoce, geralmente após a puberdade. Eu já tive, por exemplo, pacientes de 12, 13 anos, com queda de cabelo.

Nos homens o padrão de queda são as entradas e o cocuruto, já nas mulheres as quedas costumam ser difusas, na risca do couro cabeludo e vai abrindo nas laterais, ocorrendo uma queda progressiva.

Alopecia areata 

Dr. Alexandre Moretti 

É uma doença autoimune caracterizada pela perda de cabelo ou de pelos em outras partes do corpo (cílios, sobrancelhas, barba).

Existem quatro tipos dessa doença:

Unifocal: quando há apenas uma falha

Multifocal: o paciente que tem várias falhas

Total: o paciente que perde o couro cabeludo inteiro

Universal: aqueles que perdem os pelos do corpo inteiro

Quanto mais vai progredindo, mas grave fica a doença e mais difícil de tratar.

Tem cura? 

Dr. Alexandre Moretti 

Depende da causa. No caso da androgenética, não tem cura. Já a areata depende da extensão, tem pacientes que repilam (isto é, o nascimento dos pelos) e depois cai de novo, já outros que ocorre a repilação, mas não acontece mais nada, continuam com o cabelo.

 

Heflúvio telógeno agudo 

 

Dr. Alexandre Moretti 

O assunto é alopecia, mas há também o heflúvio telógeno agudo, que é a queda abrupta de cabelo depois de algum evento traumático, principalmente em casos quando há a ocorrência de infecções, como exemplo a Covid-19 e a dengue.

Quando a queda deixa de ser normal? 

Dr. Alexandre Moretti 

A queda de cabelo já é um aviso que há algo que não está legal. Geralmente o paciente percebe a queda no travesseiro, no banho, ao passar a mão no cabelo e sentir que cai muitos fios. Se você tracionar a mão e cair mais de seis fios é porque algo está errado. Por dia a média é cair menos de 50 fios, se esse número for maior é porque há algum problema que deve ser investigado.

Estresse 

Dr. Alexandre Moretti 

É o desencadeador, ele nunca age sozinho e está muito relacionado com alterações do sono. O paciente que não dorme bem e fica acordando várias vezes à noite, pode ter uma queda de cabelo mais acentuada.

Vivendo com leveza 

Fernanda Lima 

Tudo começou em meados de 2018 quando estava arrumando meu cabelo e encontrei duas falhas atrás da orelha. Fiquei bem assustada, na época isso nem era falado ainda. Fui até a dermatologista, fiz exames, fui encaminhada para um endocrinologista também, e o diagnóstico de alopecia areata foi fechado.

Meu processo da queda de cabelo não foi nada natural. Na verdade, foi extremamente difícil. Na época o que eu mais amava eram meus cabelos e perdê-los foi muito sofrido.

Do momento do diagnóstico até a queda total dos meus cabelos, foram quatro anos, tanto os fios de cabelo como os pelos de todo o corpo, apenas cílios e sobrancelhas que eu não perdi por completo. Quando eu me olhava no espelho tinha dificuldade de encontrar minha identidade, e nessa hora eu vi como é importante ter uma fé, além do apoio da família e amigos. Inclusive meu esposo, irmã (gêmea) e pai rasparam a cabeça em apoio.

Desde então eu falo da alopecia areata nas minhas redes sociais, acho importante informar as pessoas, pois muitos não sabem sobre isso. Com isso fui descobrir o tanto de mulheres que passam pelo mesmo. Me uni a elas, mandava mensagem e mostrei a minha história, isso amenizou a minha dor e a delas também.

Aprendi com tudo isso também, o quão importante é nos cuidarmos, seja da alimentação ou das nossas emoções. Hoje o que eu vivo é mais leve para mim. Meus cabelinhos já estão crescendo, o que me alegra muito. Encontrei muitas formas de me sentir bonita depois que perdi todo meu cabelo. Isso me fez descobrir uma nova Fernanda.

Recado! 

Fernanda Lima 

Ninguém quer perder o cabelo, mas precisamos entender que não é isso que faz de nós quem somos. Nossa identidade não está atrelada ao cabelo, mas sim a quem somos de fato. Busque ajuda médica, faça o tratamento correto e cuide de suas emoções.

Dr. Alexandre Moretti 

Queda de cabelo é uma queixa muito comum no consultório e quem tem isso precisa buscar ajuda médica para chegar a um diagnóstico correto. É importante ter também o acompanhamento com uma equipe multidisciplinar, pois caso precise da ajuda de outro profissional vamos encaminhar o paciente para que ele seja acompanhado em conjunto.