
Mato Grosso do Sul tem 219.332 pessoas morando dentro de áreas ambientais protegidas, segundo dados do Censo 2022 divulgados na última quinta-feira (11) pelo IBGE. O número representa 7,96% da população do estado e chama atenção para o fato de que locais criados para preservar a natureza abrigam bairros inteiros, em especial nas cidades.
No estado, existem 127 dessas áreas, oficialmente chamadas de unidades de conservação. Destas, 54 têm moradores, enquanto 73 não apresentavam população residente no período do levantamento. O dado coloca o MS na 15ª posição entre os estados com mais pessoas vivendo nessas regiões.
A área mais populosa é a Área de Proteção Ambiental (APA) Municipal dos Mananciais do Córrego Lajeado, em Campo Grande, com 35.412 pessoas. Em seguida, estão a APA Ilhas e Várzeas do Rio Paraná, com 32.604 moradores, e a APA da Sub-bacia do Rio Aporé, com 19.998.
A maior parte da população (99,95%) vive em áreas de uso sustentável, onde a presença humana é permitida sob regras específicas. Apenas 0,04% estão em áreas de proteção integral, que têm uso mais restrito.
Mais de dois terços dos moradores dessas áreas (151.495 pessoas) estão em zonas urbanas. Outras 67.837 vivem em zonas rurais. A média é de 2,84 moradores por domicílio.
O levantamento revela que moradores dessas regiões enfrentam piores condições de saneamento do que o restante da população. Em 7,2% dos domicílios, não há abastecimento de água adequado. Isso representa mais de 19 mil pessoas.
Quanto ao esgoto, 53,4% da população que vive nessas áreas não tem esgotamento sanitário adequado, usando fossas rudimentares, valas ou despejando em rios e córregos. A coleta de lixo também é falha: 26,8% dos domicílios queimam o lixo na própria propriedade.
O levantamento também aponta uma maior presença de indígenas vivendo nessas áreas do que na média estadual. Entre os moradores dessas regiões, 9,36% se declararam indígenas, contra 0,71% na população geral do estado.
A população é majoritariamente jovem: 23,5% têm entre 0 e 14 anos. Pessoas com 60 anos ou mais representam 14,1%.
As chamadas áreas ambientais protegidas são locais criados por leis municipais, estaduais ou federais para proteger rios, florestas, animais e recursos naturais. Algumas têm uso controlado e permitem moradia. Outras são mais restritas, voltadas à conservação da natureza e à pesquisa científica.
Essas áreas nem sempre são isoladas. Muitas vezes, incluem bairros já existentes antes da criação da proteção legal, o que gera conflitos entre o crescimento urbano e as regras ambientais.
Os dados completos estão disponíveis no site do IBGE: agenciadenoticias.ibge.gov.br