Desde que o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo foi regulamentado no Brasil em 2013, Mato Grosso do Sul registrou um crescimento expressivo nas uniões LGBTQIA+. De acordo com dados do Portal da Transparência do Registro Civil, os registros passaram de 51 casamentos naquele ano para 258 em 2024 — um aumento de 416%.
Em 2025, o ritmo se mantém em alta. Apenas entre janeiro e julho, o Estado já contabilizou 134 casamentos homoafetivos, sinalizando a possibilidade de um novo recorde anual.
A oficialização dessas uniões foi garantida pela Resolução nº 175 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em vigor desde 14 de maio de 2013. A medida determinou que todos os cartórios do país são obrigados a realizar casamentos civis e converter uniões estáveis em matrimônio, independentemente do sexo dos noivos.
Segundo Lucas Zamperlini, vice-presidente da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais de Mato Grosso do Sul (Arpen-MS), o avanço nas uniões civis é reflexo da maior segurança jurídica e da visibilidade conquistada pela população LGBTQIA+. Para ele, a formalização do casamento ou a retificação de nome representam não apenas um ato burocrático, mas também o reconhecimento institucional de identidades e trajetórias que antes eram invisibilizadas.
Além do aumento nos casamentos, também houve crescimento nos pedidos de alteração de nome e gênero. Em 2024, foram 44 registros de retificação — mais que o dobro dos 19 realizados em 2023. Em 2025, até o mês de maio, já foram contabilizados 27 procedimentos desse tipo.
A tendência acompanha movimentos de visibilidade e aceitação social mais ampla no Estado. Em 2024, Campo Grande realizou uma das maiores Paradas da Cidadania LGBTQIA+ da região Centro-Oeste, reunindo milhares de pessoas nas ruas em apoio à diversidade.