
A suspensão das exportações de carne bovina de Mato Grosso do Sul para os Estados Unidos pode provocar queda nos preços da proteína no mercado interno, segundo analistas e entidades do setor. Com a medida, anunciada na última segunda-feira (14) após a imposição de uma tarifa de 50% pelo governo americano, os frigoríficos passaram a redirecionar os estoques que seriam enviados aos EUA para o mercado doméstico e para novos destinos como Chile, Egito e países do Oriente Médio.
Como mostrou O Sul-mato-grossense, frigoríficos de MS suspenderam os embarques aos Estados Unidos após os próprios importadores norte-americanos desistirem de comprar com a nova tarifa. Para evitar prejuízo, a indústria sul-mato-grossense passou a negociar com outros compradores, e já mira países como Chile, Egito e Oriente Médio para escoar a produção.
Segundo a Famasul, o estado exportou mais de 31 mil toneladas de carne bovina para os EUA entre janeiro e junho deste ano, somando US$ 152,9 milhões. Com a perda desse canal, frigoríficos mantiveram o ritmo de abate e passaram a direcionar parte da produção ao consumo interno, o que aumenta a oferta e tende a pressionar os preços para baixo.
A situação também acende um alerta aos pecuaristas. O sindicato rural Sincadems orientou os produtores a não venderem gado neste momento, temendo que a indústria se aproveite do excesso de carne disponível para forçar uma redução nos valores pagos pelo boi gordo.
Apesar da expectativa de recuo nos preços no curto prazo, analistas avaliam que o impacto pode ser momentâneo. A China, que responde por mais de 60% das exportações brasileiras de carne, segue como principal destino e deve continuar absorvendo boa parte da produção. Além disso, o sucesso na abertura de novos mercados pode reequilibrar a balança de oferta e demanda ao longo das próximas semanas.
As tentativas de retomar a exportação aos Estados Unidos também seguem no radar. Se houver acordo entre os governos, os embarques podem ser restabelecidos ainda neste semestre.