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PF investiga empresa de Campo Grande por esquema de R$ 1,3 milhão em contratos da saúde indígena

Mandados foram cumpridos nesta quarta (23) em operação que apura superfaturamento e favorecimento em licitações emergenciais

23/07/2025 às 13h30
Por: João Paulo Ferreira
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Agentes da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União cumprem mandado de busca em empresa de locação de veículos em Campo Grande durante a Operação Portare - Foto: Polícia Federal
Agentes da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União cumprem mandado de busca em empresa de locação de veículos em Campo Grande durante a Operação Portare - Foto: Polícia Federal

A Polícia Federal cumpriu três mandados de busca e apreensão em Campo Grande, nesta quarta-feira (23), durante a Operação Portare, que apura desvios e irregularidades em contratos da saúde indígena. A ação faz parte de uma força-tarefa com a Controladoria-Geral da União (CGU) para desarticular um suposto esquema de superfaturamento na contratação emergencial de veículos pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Cuiabá, que teria gerado prejuízo de R$ 1,3 milhão.

A investigação identificou fraudes em contratos firmados entre 2023 e 2024, incluindo favorecimento de empresários, pagamentos por serviços não executados, propostas com preços inexequíveis e possível conluio entre servidores públicos e empresas beneficiadas. Os contratos sob suspeita foram celebrados sem licitação, sob a justificativa de emergência, mas os investigadores apontam que houve direcionamento para beneficiar empresas específicas.

Ao todo, foram expedidos 17 mandados de busca e apreensão em sete cidades: Campo Grande (MS), Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis (MT), Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ) e Boa Vista (RR). Dois servidores ligados ao DSEI foram afastados por ordem judicial. Também houve o bloqueio de bens e valores de 10 investigados, totalizando cerca de R$ 20 milhões.

Em Campo Grande, os mandados foram cumpridos em uma empresa de locação de veículos localizada na Avenida Fernando Corrêa da Costa, na região central. Os agentes recolheram documentos e materiais eletrônicos. Não houve prisões.

Além do contrato de R$ 1,3 milhão que deu origem à operação, a PF e a CGU apuram irregularidades em uma licitação recente de R$ 25 milhões para a mesma finalidade, que teria sido estruturada de forma a dificultar a competitividade e permitir novas fraudes.

Segundo a CGU, a investigação começou após denúncias anônimas e análises em auditorias. Os investigados poderão responder por crimes como fraude à licitação, peculato, corrupção ativa e passiva, e lavagem de dinheiro.

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