
A padaria Empório do Pão, localizada no bairro Taveirópolis, em Campo Grande, que foi interditada na última segunda-feira (22) durante uma ação conjunta da Vigilância Sanitária, Polícia Civil e Procon-MS e teve o proprietário, Luciano Andrade Machado Borges, de 52 anos, preso em flagrante sob acusação de comercializar alimentos impróprios para consumo, publicou uma nota pública nas redes sociais em que nega irregularidades e afirma que a fiscalização foi feita de forma desproporcional.
A operação encontrou uma série de irregularidades sanitárias, segundo os órgãos de fiscalização. Entre elas, estavam insumos vencidos, produtos sem rotulagem ou tabela nutricional, queijo artesanal sem selo de inspeção, e uma estrutura com mofo, teias de aranha, infiltrações, fiação exposta e lixo acumulado. Também foi constatado que a licença sanitária do local estava vencida desde o dia 26 de junho.
Durante a fiscalização, o dono foi preso em flagrante e levado à delegacia. Ele ficou em silêncio durante o depoimento, acompanhado por duas advogadas, e foi liberado no dia seguinte (23), após audiência de custódia, mediante o pagamento de fiança no valor de R$ 5 mil.
Os produtos considerados impróprios foram apreendidos e armazenados para descarte. O estabelecimento permanece interditado até que comprove as adequações exigidas pela Vigilância Sanitária e obtenha nova licença.
No dia seguinte à fiscalização, a direção do Empório do Pão divulgou uma nota oficial nas redes sociais. No texto, a empresa afirma que foi alvo de uma ação desproporcional, conduzida por mais de dez agentes durante o horário de pico, e que “foi tratada como criminosa”.
A padaria afirma que a licença estava em processo de renovação, dentro do prazo legal, e que os produtos estavam dentro dos padrões de higiene, validade e segurança. Também rebate a acusação de venda de queijo clandestino, explicando que se trata de queijo caipira, adquirido de pequenos produtores de Mato Grosso do Sul, e que é manipulado com todos os cuidados necessários.
Abaixo, a nota na íntegra publicada pela padaria:
Nota Pública – Empório do Pão
Na última segunda-feira, nosso estabelecimento foi surpreendido por uma ação conjunta da Polícia Civil, Procon e Vigilância Sanitária. A ação, sem aviso prévio, contou com mais de 10 agentes e ocorreu durante o horário de maior movimento do dia.
O motivo da fiscalização foi a licença de funcionamento vencida no dia 26/06, que está em processo de renovação dentro do prazo legal.
O que nos revolta é que, mesmo com a documentação em andamento e todos os trâmites sendo cumpridos, fomos tratados como criminosos.
Seguimos todos os padrões de higiene, armazenamento, verificação de validades e segurança. Jamais comercializamos produtos impróprios para o consumo. Trabalhamos todos os dias com quadro reduzido de funcionários, mas com responsabilidade, cuidado e respeito aos nossos clientes.
Sobre o “queijo clandestino”: utilizamos queijo caipira em algumas receitas tradicionais, como a chipa e a sopa paraguaia. Esse queijo é adquirido de pequenos produtores do interior do estado, embalado, separado, lavado e tratado com todos os cuidados possíveis.
É grave e revoltante que nos acusem de colocar a saúde pública em risco por valorizar ingredientes locais e nossa cultura alimentar.
Nos perguntamos: vender produtos artesanais da nossa região agora é crime? Apoiar o pequeno produtor virou ameaça à saúde pública?
Sabemos da responsabilidade de alimentar tantas pessoas. Por isso, seguimos de cabeça erguida, confiantes de que estamos fazendo a coisa certa.
Após o episódio, decidimos conceder férias coletivas de 15 dias aos nossos funcionários. É um momento para nos reerguer. Precisamos respirar, reorganizar e cuidar uns dos outros.
Agradecemos aos clientes, fornecedores, amigos e familiares pelo apoio neste momento difícil.
Assinado: Direção do Empório do Pão
A padaria segue fechada e impedida de funcionar até apresentar as correções exigidas pelos órgãos sanitários. O caso ainda será analisado pela Justiça, que pode transformar a prisão em processo, caso o Ministério Público ofereça denúncia.