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Empório do Pão contesta fiscalização e nega acusações após ser interditada e dono ser preso

Padaria afirmou que usou queijo artesanal legalizado e negou ter vendido produtos vencidos ou clandestinos

24/07/2025 às 15h25
Por: João Paulo Ferreira
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Empório do Pão foi interditada após fiscalização identificar produtos vencidos e sem inspeção, segundo a Vigilância Sanitária - Foto: Google Street View
Empório do Pão foi interditada após fiscalização identificar produtos vencidos e sem inspeção, segundo a Vigilância Sanitária - Foto: Google Street View

A padaria Empório do Pão, localizada no bairro Taveirópolis, em Campo Grande, que foi interditada na última segunda-feira (22) durante uma ação conjunta da Vigilância Sanitária, Polícia Civil e Procon-MS e teve o proprietário, Luciano Andrade Machado Borges, de 52 anos, preso em flagrante sob acusação de comercializar alimentos impróprios para consumo, publicou uma nota pública nas redes sociais em que nega irregularidades e afirma que a fiscalização foi feita de forma desproporcional.

A operação encontrou uma série de irregularidades sanitárias, segundo os órgãos de fiscalização. Entre elas, estavam insumos vencidos, produtos sem rotulagem ou tabela nutricional, queijo artesanal sem selo de inspeção, e uma estrutura com mofo, teias de aranha, infiltrações, fiação exposta e lixo acumulado. Também foi constatado que a licença sanitária do local estava vencida desde o dia 26 de junho.

Durante a fiscalização, o dono foi preso em flagrante e levado à delegacia. Ele ficou em silêncio durante o depoimento, acompanhado por duas advogadas, e foi liberado no dia seguinte (23), após audiência de custódia, mediante o pagamento de fiança no valor de R$ 5 mil.

Os produtos considerados impróprios foram apreendidos e armazenados para descarte. O estabelecimento permanece interditado até que comprove as adequações exigidas pela Vigilância Sanitária e obtenha nova licença.


Padaria rebate acusações em nota

No dia seguinte à fiscalização, a direção do Empório do Pão divulgou uma nota oficial nas redes sociais. No texto, a empresa afirma que foi alvo de uma ação desproporcional, conduzida por mais de dez agentes durante o horário de pico, e que “foi tratada como criminosa”.

A padaria afirma que a licença estava em processo de renovação, dentro do prazo legal, e que os produtos estavam dentro dos padrões de higiene, validade e segurança. Também rebate a acusação de venda de queijo clandestino, explicando que se trata de queijo caipira, adquirido de pequenos produtores de Mato Grosso do Sul, e que é manipulado com todos os cuidados necessários.

Abaixo, a nota na íntegra publicada pela padaria:

Nota Pública – Empório do Pão

Na última segunda-feira, nosso estabelecimento foi surpreendido por uma ação conjunta da Polícia Civil, Procon e Vigilância Sanitária. A ação, sem aviso prévio, contou com mais de 10 agentes e ocorreu durante o horário de maior movimento do dia.

O motivo da fiscalização foi a licença de funcionamento vencida no dia 26/06, que está em processo de renovação dentro do prazo legal.

O que nos revolta é que, mesmo com a documentação em andamento e todos os trâmites sendo cumpridos, fomos tratados como criminosos.

Seguimos todos os padrões de higiene, armazenamento, verificação de validades e segurança. Jamais comercializamos produtos impróprios para o consumo. Trabalhamos todos os dias com quadro reduzido de funcionários, mas com responsabilidade, cuidado e respeito aos nossos clientes.

Sobre o “queijo clandestino”: utilizamos queijo caipira em algumas receitas tradicionais, como a chipa e a sopa paraguaia. Esse queijo é adquirido de pequenos produtores do interior do estado, embalado, separado, lavado e tratado com todos os cuidados possíveis.

É grave e revoltante que nos acusem de colocar a saúde pública em risco por valorizar ingredientes locais e nossa cultura alimentar.

Nos perguntamos: vender produtos artesanais da nossa região agora é crime? Apoiar o pequeno produtor virou ameaça à saúde pública?

Sabemos da responsabilidade de alimentar tantas pessoas. Por isso, seguimos de cabeça erguida, confiantes de que estamos fazendo a coisa certa.

Após o episódio, decidimos conceder férias coletivas de 15 dias aos nossos funcionários. É um momento para nos reerguer. Precisamos respirar, reorganizar e cuidar uns dos outros.

Agradecemos aos clientes, fornecedores, amigos e familiares pelo apoio neste momento difícil.

Assinado: Direção do Empório do Pão


A padaria segue fechada e impedida de funcionar até apresentar as correções exigidas pelos órgãos sanitários. O caso ainda será analisado pela Justiça, que pode transformar a prisão em processo, caso o Ministério Público ofereça denúncia.

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