A Arquidiocese de Campo Grande divulgou uma nota oficial orientando os fiéis católicos a não participarem do movimento Legendários, que tem ganhado espaço na cidade com a promoção de retiros e encontros voltados ao público masculino. O alerta foi publicado no último dia 18 e assinado pelo arcebispo Dom Dimas Lara Barbosa.
No comunicado, a Arquidiocese esclarece que o movimento Legendários não pertence à Igreja Católica Apostólica Romana e que sua proposta espiritual não está em conformidade com os meios reconhecidos pela Igreja para a santificação dos fiéis, como os sacramentos, a vida comunitária paroquial e a orientação do magistério eclesial.
“Os conteúdos e práticas promovidos por tal movimento, embora se apresentem como espirituais, não podem ser reconhecidos como católicos”, diz a nota. O documento ainda reforça que a participação de católicos nesse tipo de evento não é recomendada, e orienta que os fiéis busquem caminhos de aprofundamento na fé em comunhão com a Igreja.
Além do posicionamento doutrinário, a nota da Arquidiocese menciona o caso de Fábio Adriano Machado Cherini, administrador de empresas de Rio Negro (MS), que morreu durante uma atividade do movimento Legendários em 2024. Ele participava de um dos eventos voltados ao “desenvolvimento espiritual e físico” promovidos pelo grupo.
A causa da morte não foi detalhada na nota oficial nem em publicações do movimento, mas o episódio foi usado pela Arquidiocese como exemplo da necessidade de cautela por parte dos católicos em relação a propostas externas à Igreja.
Em março deste ano, o movimento ganhou repercussão negativa após um de seus participantes ser preso por tráfico de drogas em Dourados (MS). Renan Silva Nascimento, de 34 anos, que se identificava nas redes como “Legendário 49075”, foi flagrado com 150 quilos de pasta-base de cocaína escondidos em caixas de carne, durante operação da Polícia Civil e da PRF.
Segundo as investigações, Renan mantinha uma hamburgueria de fachada e alegou ter sido contratado por R$ 5 mil para receber a carga, que acreditava ser de celulares. A Justiça converteu a prisão em preventiva devido ao volume da droga e aos antecedentes do suspeito, que já tinha condenação por associação ao tráfico.