
Campo Grande foi classificada como a capital com menor acesso à cultura no Brasil, segundo levantamento do Datafolha em parceria com a JLeiva Cultura e Esporte. A pesquisa, realizada entre abril e maio de 2025, avaliou a participação da população em 14 atividades culturais e mostrou que a cidade lidera os piores índices em praticamente todos os quesitos.
Foram ouvidas 600 pessoas em 60 pontos de grande fluxo na capital sul-mato-grossense, com margem de erro de quatro pontos percentuais. Os resultados revelam queda expressiva em relação a estudo semelhante feito em 2014. A participação em shows caiu 19%, em festas populares 16%, no circo 12%, no cinema 11% e nas bibliotecas 9%.
O levantamento aponta que a leitura de livros, hábito central em indicadores culturais, também está abaixo da média nacional. Apenas 47% dos moradores leram ao menos um exemplar no último ano. Outros espaços registraram índices ainda menores: bibliotecas (15%), teatro (12%), dança (15%), feiras de livro (9%), saraus (3%) e concertos de música (2%).
O teatro e os museus estão entre os setores mais críticos. Apenas 12% dos entrevistados assistiram a peças teatrais em 2024, sendo a maioria espetáculos infantis. Já os museus foram ignorados por 66% da população, enquanto 85% nunca participaram de saraus. A situação é ainda mais grave nos concertos: 89% dos moradores afirmaram nunca ter comparecido a uma apresentação.
O estudo mostra também que 70% das atividades culturais estão localizadas fora dos bairros de residência, o que dificulta a frequência. Apenas 7% dos entrevistados disseram ter opções próximas de onde vivem, apontando para um problema de distribuição e acessibilidade.
Entre os grupos mais afetados, os idosos aparecem como a faixa etária com menor participação cultural, reforçando a desigualdade no acesso e a carência de políticas específicas para essa população.