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De estupro a tráfico e armas, cantor executado em Campo Grande acumulou registros desde 2001

Polícia em Goiás apontou artista como principal traficante na região Noroeste de Goiânia em 2018; em 2025, ele cumpria domiciliar com tornozeleira

01/09/2025 às 18h21
Por: João Paulo Ferreira
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Yuri Ramirez foi executado em 30 de agosto, em Campo Grande; segundo a Polícia Civil de Goiás, acumulava registros desde 2001 e foi apontado em 2018 como principal traficante de drogas e armas na região Noroeste de Goiânia. No momento do crime, estava em
Yuri Ramirez foi executado em 30 de agosto, em Campo Grande; segundo a Polícia Civil de Goiás, acumulava registros desde 2001 e foi apontado em 2018 como principal traficante de drogas e armas na região Noroeste de Goiânia. No momento do crime, estava em

Executado a tiros dentro de casa, o cantor sertanejo e compositor Iuri Gomes Oliveira Ramires, conhecido como Yuri Ramirez, tinha uma longa trajetória criminal, com anotações que remontam a 2001 e majoritariamente ligadas ao tráfico de drogas. Segundo a Polícia Civil de Goiás, ele foi considerado o principal traficante de drogas e armas da região Noroeste de Goiânia. O assassinato ocorreu na manhã do último sábado (30), em Campo Grande (MS).

Execução e investigação

Yuri foi morto com oito disparos no imóvel onde morava, no bairro Santa Emília. De acordo com a Polícia Civil, dois homens armados se identificaram como policiais, invadiram a residência e atiraram. A perícia localizou 12 cápsulas de pistola no cenário do crime. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). O delegado responsável, Rodolfo Daltro, informou que o inquérito tramita em sigilo.

Linha do tempo dos antecedentes

  • 2001 — prisão por roubo
    Primeira detenção registrada contra o cantor.

  • 2003 — prisão por tráfico de drogas
    Dois anos após o roubo, voltou a ser preso, agora por tráfico.

  • 2006 — prisão por tráfico e condenação a 10 anos
    Flagrado com drogas em São Gabriel do Oeste (MS), foi condenado a 10 anos de reclusão em regime fechado.

  • 2016 — flagrante dentro do presídio
    No Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande, foi flagrado com 30 papelotes e 17 porções de maconha, somando 3,1 kg. O flagrante ocorreu perto do fim da pena de 2006. Em agosto de 2017, ele foi absolvido pelo crime cometido dentro da unidade. Na ocasião, afirmou que estava havia cerca de 12 anos no regime fechado devido a regressão de pena.

  • 2018 — prisão em Goiânia por tráfico e armas
    Menos de um ano após deixar a prisão, foi detido em 14 de junho, em Goiânia (GO), por tráfico de drogas. A investigação atribuiu a ele a venda de aproximadamente 800 kg de maconha trazida do Paraguai e a negociação de um fuzil AK-47. No momento da prisão, utilizava documento falso. À época, estava foragido em investigação por tráfico de armas e era monitorado em Goiás.

Investigações e prisão recentes

  • 2024 — suspeita de estupro de vulnerável
    Passou a ser investigado por suspeita de abusar duas meninas, de 8 e 13 anos, em setembro de 2024. A denúncia foi apresentada pela mãe em julho deste ano, quando soube da possibilidade de soltura. Em depoimento, as crianças relataram os abusos, e a Justiça concedeu medidas protetivas cerca de um mês antes da execução.

  • 2025 — prisão por tráfico e saída com cautelares
    Em fevereiro, foi preso no Jardim Tarumã, em Campo Grande, com 14,8 kg de maconha após ser flagrado deixando uma caixa com a droga na varanda de uma casa. Ele negou a autoria, mas teve a prisão convertida em preventiva. Em março, a defesa pediu revogação, negada naquele momento. Em 23 de julho, a Justiça revogou a preventiva com parecer favorável do Ministério Público, mantendo audiência para 17 de setembro.
    As medidas aplicadas foram:
    • proibição de sair da cidade sem autorização judicial por cinco dias;
    • recolhimento domiciliar das 22h às 5h e integral nos fins de semana;
    • monitoramento eletrônico por 90 dias.

Quem era Yuri Ramirez

Natural de Campo Grande, Yuri iniciou a carreira musical na adolescência, inicialmente com influências do rock e, depois, no sertanejo — inspirado pelo pai. Em 2020, formou dupla e se apresentou por Mato Grosso do Sul, São Paulo e Mato Grosso. Posteriormente, seguiu carreira solo e dividiu palco com artistas conhecidos nacionalmente, como Maria Cecília e Rodolfo. Em entrevistas, disse compor de três a quatro músicas por semana, somando cerca de 240 canções inéditas. Entre os lançamentos estão “Boca Errada” e “Novo Engano”, divulgada em outubro de 2024.

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