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Defesa de Heleno tenta afastá-lo de Bolsonaro e diz que não sabia de golpe em julgamento no STF

Advogado afirmou que general se distanciou do ex-presidente após filiação ao PL e negou participação em plano golpista

03/09/2025 às 19h16 Atualizada em 04/09/2025 às 11h27
Por: João Paulo Ferreira
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Foto: Valter Campanato
Foto: Valter Campanato

A defesa do general Augusto Heleno, ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), sustentou nesta quarta-feira (3) no Supremo Tribunal Federal (STF) que ele se afastou do ex-presidente Jair Bolsonaro ainda durante o mandato e que nunca tratou com ele sobre golpe de Estado.

O advogado Matheus Milanez afirmou que o distanciamento ocorreu após Bolsonaro se aproximar do Centrão e se filiar ao PL. Segundo o defensor, servidores do GSI confirmaram que a influência de Heleno foi reduzida nesse período.

Como prova, a defesa apresentou uma anotação em agenda particular do general em que ele registrou que Bolsonaro deveria se vacinar contra a covid-19, ato que o ex-presidente sempre rejeitou. Milanez também destacou que a agenda foi manipulada e que não havia sequer conhecimento de sua existência por terceiros.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) usa como indício de participação uma fala de Heleno em reunião ministerial com Bolsonaro, quando disse que era “necessário fazer alguma coisa antes das eleições”. Para a defesa, a frase tinha sentido legalista e reforçava que, após o resultado das urnas, não haveria contestação.

O advogado ainda afirmou que não há diálogos de Heleno com outros acusados nem qualquer prova concreta de sua participação na trama. Ele acusou a Polícia Federal de induzir a acusação ao erro.

Julgamento em andamento

A Primeira Turma do STF dá continuidade ao julgamento que pode condenar Jair Bolsonaro e outros sete aliados pela tentativa de reverter o resultado das eleições de 2022.

Na primeira sessão foram ouvidas as defesas de Mauro Cid, Alexandre Ramagem, Almir Garnier e Anderson Torres. Nesta quarta, apresentaram sustentação os advogados de Bolsonaro, de Augusto Heleno, do ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira e do general Braga Netto, candidato a vice na chapa de 2022.

O julgamento terá oito sessões, marcadas para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro, quando deve ser definida a sentença. As audiências são realizadas em anexo do Supremo e transmitidas por TV e Rádio Justiça e pelo canal oficial do STF no YouTube.

 

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