De janeiro até setembro de 2025, Mato Grosso do Sul registrou 80 mortes por suicídio entre adolescentes e jovens, segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). O índice reforça a gravidade do problema, que já é a quarta principal causa de óbitos entre pessoas de 15 a 29 anos no país, atrás apenas de acidentes de trânsito, tuberculose e violência interpessoal, conforme a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
Na Assembleia Legislativa, leis vêm sendo aprovadas com foco na conscientização. A deputada Mara Caseiro (PSDB) criou o Setembro Amarelo de Prevenção ao Suicídio em Mato Grosso do Sul (Lei Estadual 4.777/2015) e, mais recentemente, a campanha “Setembro Amarelo vai à Escola” (Lei 6.449/2025), que leva atividades de prevenção diretamente para o ambiente escolar. Já o deputado Antonio Vaz (Republicanos) é autor da Lei 5.483/2019, que instituiu a Semana de Prevenção e Combate à Automutilação e ao Suicídio.
A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) mantém o projeto de extensão “Acolhimento em saúde mental”, coordenado pelo professor Jeferson Camargo Taborda. Voltado a jovens de 13 a 24 anos, o serviço já realizou 317 atendimentos desde 2024, tanto presenciais quanto online pela plataforma Rede Pode Falar. Além do acompanhamento psicológico, a iniciativa atua em escolas públicas de Campo Grande com palestras e orientações.
O Tribunal de Justiça de MS, em parceria com órgãos estaduais e municipais, aplica a Justiça Restaurativa Escolar como forma de diálogo e prevenção. A iniciativa, coordenada pela desembargadora Elizabete Anache, promove círculos de conversa sobre bullying, violência, automutilação e projeto de vida, alcançando escolas da capital e do interior.
A Subsecretaria de Políticas Públicas para Juventude, ligada à Secretaria de Estado de Saúde, desenvolve o projeto “Inspira Jovem”, que já atendeu mais de 30 mil jovens desde 2024. A proposta distribui materiais educativos e fomenta espaços de liderança, inclusive em comunidades indígenas, para debater saúde emocional e identidade.
A psicóloga clínica Thaís Marcela Mota alerta que a ausência de diálogo em casa é um dos fatores mais críticos. Segundo ela, sinais como automutilação ou agressões contra si mesmo não devem ser ignorados. “O ponto principal é ter empatia, saber ouvir e não desmerecer o que eles estão sentindo. Criar a prática da conversa pode mudar esse cenário”, afirma.
As ações de 2025 mostram que o Setembro Amarelo em Mato Grosso do Sul se consolidou como um esforço coletivo entre Parlamento, instituições de ensino, Justiça, governo e sociedade civil, em busca de reduzir os casos e ampliar a rede de apoio para jovens em situação de vulnerabilidade.