
Os líderes do Brics se reuniram nesta segunda-feira (8) em uma cúpula virtual convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro teve como foco ampliar mecanismos de comércio e fortalecer a cooperação diante da nova política tarifária dos Estados Unidos.
Segundo Lula, a integração financeira entre os países do bloco é uma alternativa ao protecionismo. “Juntos, representamos 40% do PIB global e quase metade da população mundial. Temos condições de promover uma industrialização verde e gerar empregos em setores de alta tecnologia”, afirmou.
O presidente brasileiro criticou a chamada “chantagem tarifária” dos EUA, que elevou tarifas de importação em meio à perda de competitividade frente à China. Ele classificou a medida como prática injustificada e alertou que sanções extraterritoriais ameaçam a liberdade de comércio do bloco.
Especialistas apontam que a estratégia da Casa Branca busca conter a expansão do Brics, que tem discutido formas de reduzir a dependência do dólar nas transações comerciais.
Durante a reunião, Lula destacou o papel do Novo Banco de Desenvolvimento na diversificação das economias e defendeu maior coordenação entre os países. Ele reforçou que a crise de governança global exige uma resposta conjunta: “O Brics tem legitimidade para liderar a refundação do sistema multilateral de comércio”.
Além do comércio, os líderes trataram de conflitos internacionais como a guerra na Ucrânia e a situação na Faixa de Gaza. Lula voltou a criticar intervenções militares e a presença de forças armadas dos EUA no Caribe, que classificou como fator de tensão.
Na área ambiental, o presidente brasileiro convidou os parceiros para a COP30, que será realizada em Belém em novembro de 2025. Ele sugeriu a criação de um Conselho de Mudança do Clima da ONU e defendeu que combustíveis fósseis sejam usados para financiar a transição ecológica.
A reunião também serviu como preparação para a 14ª Conferência Ministerial da OMC, prevista para 2026 em Camarões, e para a 80ª Assembleia Geral da ONU, que será realizada neste mês em Nova York.
Participaram da cúpula líderes de China, Rússia, Índia, África do Sul, Egito, Indonésia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Etiópia.