
O médico ortopedista e pecuarista Ramiro Pereira de Matos, de 67 anos, morreu na manhã da última terça-feira (16) após a queda do avião que pilotava no Pantanal sul-mato-grossense. O monomotor Cessna 210 Silver Eagle, prefixo PS-FDW, de sua propriedade, foi localizado em área de difícil acesso, cerca de 180 quilômetros de Coxim (MS).
A aeronave havia decolado por volta das 7h30. Há divergências sobre a rota realizada: Uma versão aponta que o voo saiu de Araçatuba (SP) com destino a Figueirópolis d’Oeste (MT), enquanto outra indica que o trajeto seria entre Itiquira (MT) e Sonora (MS). Em ambos os relatos, o último contato ocorreu já sobre o Pantanal, quando o piloto enfrentava mau tempo. O pouso estava previsto para 9h30.
Partes do avião foram encontradas em fazendas da região pantaneira. Indícios apontam que Ramiro tentou um pouso de emergência antes do impacto. O corpo foi retirado dos destroços e levado até a sede de uma fazenda próxima, de onde seguiu de helicóptero do Grupamento de Operações Aéreas dos Bombeiros para Campo Grande. Da capital, o traslado foi organizado para Araçatuba, onde ocorrerá o velório.
O local do acidente permanece de difícil acesso, o que levou as equipes a priorizarem o resgate do corpo antes da perícia. O Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) da Polícia Civil informou que, em conjunto com o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), fará a análise técnica dos destroços assim que possível. O relatório final não atribui culpa, mas aponta fatores contribuintes e recomendações de segurança.
Informações preliminares indicam que o avião enfrentou condições climáticas adversas, com tempestades e ventos fortes, registrando perda brusca de altitude. A aeronave, fabricada em 1980, estava com documentação em dia, conforme registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Especialistas destacam que a idade do avião não representa, por si, um risco, desde que as manutenções estejam em dia — o que era o caso.
Ramiro Pereira de Matos era conhecido em Araçatuba e no setor agropecuário. Além da carreira na medicina, atuava como pecuarista e costumava pilotar a própria aeronave em deslocamentos para propriedades da família em São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Ele deixa esposa, dois filhos, noras e netas.
Até o momento, permanecem em aberto detalhes fundamentais sobre o plano de voo, o ponto exato da queda e os fatores determinantes do acidente. Essas respostas devem vir a público somente após a conclusão da investigação do Cenipa.