O Brasil acompanha com preocupação a série de casos de intoxicação provocados por bebidas adulteradas com metanol. O alerta começou em São Paulo, onde surgiram as primeiras notificações de consumidores que apresentaram sintomas graves após ingerir destilados.
Segundo o Ministério da Saúde, entre agosto e setembro foram notificados 17 episódios em São Paulo, com seis confirmações de intoxicação por metanol. O total já chega a 39 suspeitas no estado e quatro em Pernambuco. Uma morte foi confirmada e outros óbitos ainda estão em investigação.
Para acompanhar a situação, a pasta criou uma sala de situação nacional e determinou a notificação compulsória de casos suspeitos. Hospitais e unidades de saúde receberam nota técnica orientando médicos e equipes a identificar os principais sinais clínicos de envenenamento, como perda súbita da visão, náuseas, dor abdominal, vômitos e mal-estar generalizado.
As investigações indicam que os episódios se concentram em bebidas destiladas como gin, vodca e uísque. A Polícia Civil de São Paulo apreendeu dezenas de garrafas, lacres e tampas falsificadas em operações de fiscalização, além de interditar estabelecimentos que comercializavam os produtos.
O Ministério da Justiça emitiu recomendações para bares, restaurantes e comerciantes: interromper a venda de lotes suspeitos, separar garrafas para análise e preservar amostras para auxiliar na investigação. O órgão também alertou que a adulteração pode configurar crimes contra a saúde pública e contra o consumidor.
A Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD) informou que a falsificação de destilados cresceu 25,8% de 2023 para 2024, mostrando que o problema vinha em expansão antes do atual surto. Para o setor, os episódios recentes com metanol colocaram o tema em evidência nacional.
Paralelamente, o governo federal desmentiu uma fake news que circulava nas redes sociais, segundo a qual a adulteração estaria ligada à desativação do sistema de controle SICOBE. A Receita Federal esclareceu que o monitoramento dos destilados é feito por meio dos selos fiscais da Casa da Moeda, aplicados nas tampas das garrafas, e que continuam em vigor.
Em Mato Grosso do Sul, até esta quinta-feira (2), não há casos confirmados ou suspeitas notificadas. O Ministério Público Estadual instaurou procedimento preparatório para acompanhar a situação e articular ações com o Procon, Vigilâncias Sanitárias e demais órgãos de fiscalização. O Procon informou que já houve autuações por bebidas adulteradas em outros contextos, mas nenhum episódio envolvendo metanol foi detectado.
A Abrasel-MS orientou bares e restaurantes a descartar qualquer bebida de procedência duvidosa e reforçar a checagem de fornecedores. Já a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande informou que segue com fiscalizações rotineiras.
Os especialistas ressaltam que o metanol é altamente tóxico: no organismo, a substância se converte em formaldeído e ácido fórmico, capazes de causar cegueira irreversível e até a morte. Por isso, reforçam a necessidade de consumidores comprarem apenas bebidas de estabelecimentos confiáveis, verificarem a integridade do lacre e a presença do selo fiscal.
Para quem apresentar sintomas após ingerir bebida suspeita, a recomendação é procurar atendimento imediatamente. Em Mato Grosso do Sul, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox-MS) atende 24 horas e pode ser acionado pelos telefones 0800-722-6001 ou (67) 3386-8655.
As autoridades afirmam que as investigações ainda buscam determinar a origem exata das bebidas adulteradas e a extensão da rede de distribuição. A expectativa é de que novas operações de fiscalização ocorram nos próximos dias em diferentes estados.