Cotidiano COTIDIANO
Mulheres se casam mais cedo e homens mantêm relações após os 60 em MS
Censo mostra que 46,1% das mulheres até 39 anos vivem em união, enquanto, na velhice, proporção masculina é maior
06/11/2025 14h03
Por: João Paulo Ferreira
Imagem ilustrativa

Mulheres se casam mais cedo, mas os homens mantêm mais uniões estáveis depois dos 60 anos em Mato Grosso do Sul. O dado faz parte do suplemento Nupcialidade e Família do Censo Demográfico 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o levantamento, 46,1% das mulheres com até 39 anos vivem em união conjugal, enquanto entre os homens da mesma faixa etária o percentual é 38,8%. A diferença se inverte nas idades mais avançadas: a partir dos 60 anos, 20,2% dos homens continuam em união conjugal, contra 14,7% das mulheres.

Entre os 40 e 49 anos, há quase equilíbrio — 22,9% dos homens e 22,5% das mulheres vivem com companheiro(a). A oscilação por faixa etária mostra que as mulheres tendem a iniciar as uniões mais jovens, enquanto os homens permanecem nelas por mais tempo.

De acordo com a analista do IBGE Luciene Longo, o comportamento está diretamente ligado à maior expectativa de vida feminina. Com o envelhecimento, cresce o número de mulheres que passam a viver sozinhas, seja por separação, divórcio ou viuvez. “Com uma maior longevidade feminina, aumenta a proporção de mulheres nunca unidas e daquelas que passam a viver sem companheiro, o que faz com que a presença masculina nas uniões seja maior a partir dos 60 anos”, explica.

O estudo indica que 53% da população de Mato Grosso do Sul com 10 anos ou mais vive em união conjugal — cerca de 1,2 milhão de pessoas. É o sétimo maior percentual do país, acima da média nacional, e confirma que o estado ainda preserva alto índice de convivência conjugal, mesmo com o crescimento das separações e uniões informais.

Em termos sociais, o dado reflete transformações de comportamento e de gênero: as mulheres conquistaram mais autonomia financeira e, em muitos casos, optam por não reconstituir união após uma separação. Já os homens, historicamente, têm maior propensão a manter ou retomar vínculos conjugais em idades mais altas.

O levantamento reforça que o envelhecimento populacional e as novas configurações familiares — com mais pessoas morando sozinhas e uniões consensuais crescendo — estão alterando a estrutura tradicional das famílias sul-mato-grossenses.

Essas mudanças afetam diretamente políticas públicas voltadas à saúde, assistência e moradia, especialmente no atendimento à população idosa. Com mais mulheres vivendo sozinhas e mais homens casados em idade avançada, o desafio social passa a ser o equilíbrio de cuidados e o suporte à independência na velhice.