A religiosidade ainda pesa na hora de decidir formalizar — ou não — um relacionamento em Mato Grosso do Sul. O suplemento Nupcialidade e Família do Censo Demográfico 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a fé é um dos fatores que mais influenciam o tipo de união entre os sul-mato-grossenses.
Segundo o levantamento, evangélicos são os que mais formalizam o casamento no estado, enquanto pessoas sem religião preferem apenas “juntar”, vivendo em união consensual, sem registro civil ou cerimônia religiosa.
Os dados do IBGE apontam que 35,2% dos evangélicos vivem em casamento civil e religioso, o maior percentual entre todos os grupos religiosos de Mato Grosso do Sul. Já entre os sem religião, 65,1% vivem em união consensual, ou seja, moram juntos sem casar.
Entre os católicos, 44,9% vivem união consensual e 34,8% têm casamento civil e religioso. Entre os espíritas, 41,4% estão em união informal e 30,8% em casamentos registrados. Nas tradições indígenas, o índice de uniões sem formalização chega a 94,9%, enquanto entre praticantes de umbanda e candomblé o percentual é de 61,5%.
De acordo com a analista do IBGE Luciene Longo, essa diferença mostra que o peso da religião continua forte nos padrões familiares. “As convicções religiosas influenciam diretamente a decisão de formalizar o casamento. Grupos mais ligados a instituições religiosas tendem a oficializar a relação, enquanto outros preferem a convivência informal”, explica.
O levantamento reforça que Mato Grosso do Sul segue a tendência nacional: quanto maior o vínculo religioso, maior a chance de casamento civil e religioso; quanto menor esse vínculo, mais comum é a união informal.
No estado, 41,2% das uniões são consensuais, superando os 33% de casamentos civil e religioso. A religião, segundo o IBGE, continua sendo um dos principais elementos que moldam a forma como os sul-mato-grossenses vivem em casal — seja no altar, no cartório ou apenas sob o mesmo teto.