A história de João Miguel começou a mudar em novembro de 2022, quando, aos três anos, apresentou sintomas que levaram sua família a buscar atendimento em Coxim. O diagnóstico inicial de meningite provocou uma transferência imediata pela Central de Regulação para o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS/Ebserh), em Campo Grande. Ao chegar, o quadro já era crítico: ele convulsionava e apresentava rebaixamento de consciência. Em poucos minutos, foi levado ao CTI.
No dia seguinte à internação, o estado piorou. A equipe identificou uma meningoencefalite severa atingindo o tronco encefálico, quadro considerado de altíssimo risco. Para controlar a situação, João Miguel precisou ser entubado. A família recebeu orientações constantes sobre a gravidade do caso, enquanto a equipe médica atuava diante das oscilações frequentes, do uso de múltiplas medicações e da instabilidade que marcou os primeiros dias no CTI.
Foram 20 dias de coma. Para o pai, Rodrigo Pereira Rodrigues, o período foi marcado por incerteza, vigilância e fé. “Ele ficou entre a vida e a morte. O diagnóstico foi de uma meningoencefalite severa que atingiu o tronco encefálico. A equipe era sempre muito realista, mas nós nunca perdemos a fé em Deus e confiamos profundamente na capacidade dos profissionais que estavam cuidando dele”, relembra.
Quando despertou, João Miguel ainda estava muito debilitado. Sem força nos membros, sem sustentação do pescoço e com a voz enfraquecida, precisaria iniciar uma nova fase — tão desafiadora quanto a primeira. Após a alta do CTI, permaneceu mais 31 dias entre a enfermaria do Humap-UFMS e o hospital da Unimed. Foi nesse período que começaram as primeiras sessões de fisioterapia, essenciais para retomar movimentos básicos.
No dia seguinte à última alta, João Miguel deu início ao tratamento intensivo em uma clínica especializada. Desde então, a rotina é marcada por reabilitação contínua: fisioterapia motora, fisioterapia respiratória, terapia ocupacional, fonoaudiologia, natação, karatê e ciclos de terapia intensiva a cada três meses. A neurologista Daiane Daniele, que o acompanha desde o CTI, segue presente em cada etapa da evolução.
Hoje, aos seis anos, João Miguel convive com uma sequela motora e faz uso de medicamentos contínuos, mas apresenta avanços que contrastam com o cenário apresentado à família em 2022. A trajetória é acompanhada de perto pelos profissionais e sustentada pela dedicação diária da família. Rodrigo reforça que o caminho continua, mas reconhece a transformação já alcançada. “Não tenho palavras para agradecer à equipe do CTI e a Deus por tudo que fizeram por nós”, afirma.
A fé segue sendo uma base importante para a família. “Tenho certeza de que Deus tem um propósito maior na vida do João Miguel. Ele é um testemunho vivo. Um milagre. E eu creio que até essa sequela será vencida no tempo de Deus”, diz o pai.
Três anos após o episódio que marcou suas vidas, a história de João Miguel continua sendo construída com acompanhamento profissional, rotina intensa de terapias e o esforço conjunto de quem o acompanha diariamente. Uma trajetória que começou no momento mais crítico dentro do Humap-UFMS e hoje representa resistência, cuidado e continuidade.