Cotidiano SEPARAÇÃO
MS mantém uma das maiores taxas de divórcios do país e tempo médio dos casamentos cai para 11,8 anos
Estado registrou 7.624 divórcios em 2024
11/12/2025 10h42
Por: João Paulo Ferreira
Mato Grosso do Sul registrou 7.624 divórcios em 2024, mantendo a terceira maior taxa do país - Foto: João Paulo Ferreira

Mato Grosso do Sul encerrou 2024 com uma das posições mais altas do país em divórcios, mantendo a terceira maior taxa nacional, segundo as Estatísticas do Registro Civil divulgadas pelo IBGE. Embora o número total tenha recuado em relação a 2023, o estado seguiu acima da média brasileira e apresentou mudanças relevantes no perfil das separações, incluindo aumento expressivo da guarda compartilhada.

Os dados apontam que MS registrou 7.624 divórcios no ano, uma redução de 2,3% frente aos 7.805 casos contabilizados em 2023. A taxa geral de divórcios passou de 3,8 para 3,7 por mil habitantes com 20 anos ou mais, patamar que ainda coloca o estado entre aqueles com maior proporção de dissoluções matrimoniais no país, atrás apenas de Rondônia e Distrito Federal.

Além da taxa elevada, outra mudança se destaca: o tempo médio de duração dos casamentos caiu para 11,8 anos, o quarto menor entre as unidades da Federação. Duas décadas atrás, esse intervalo era de 18,5 anos em Mato Grosso do Sul. Desde então, o período entre o casamento e a sentença ou escritura de divórcio vem diminuindo continuamente.

O levantamento também mostra alteração no perfil das famílias que se separam. Em 42,9% dos casos, os divórcios ocorreram em arranjos familiares com filhos menores de idade. Entre essas famílias, a guarda compartilhada avançou de forma marcante: saltou de 9,51% em 2014 para 43% em 2024, acompanhando o efeito da legislação que regulamentou essa modalidade e ampliou sua adoção no país.

Apesar do crescimento da guarda conjunta, a guarda unilateral ainda predomina. As mulheres ficaram responsáveis por 48,9% das crianças, enquanto os homens concentraram 3,3% das decisões judiciais. Outras formas de guarda, como a exercida por avós ou parentes, somaram 0,7%.

Os dados consolidados reforçam tanto a persistência de Mato Grosso do Sul entre os estados com mais divórcios quanto a transformação do comportamento familiar, com casamentos mais curtos e maior participação equilibrada dos pais na criação dos filhos após a separação.