Saúde SAÚDE
Calor compromete eficácia de medicamentos e pode prejudicar tratamentos
Altas temperaturas alteraram substâncias de remédios sensíveis e reduziram o efeito terapêutico
22/12/2025 10h33 Atualizada há 6 meses
Por: João Paulo Ferreira
Foto: Laurynas Me

Altas temperaturas podem comprometer a eficácia de medicamentos e interferir diretamente no sucesso de tratamentos. Em períodos mais quentes, a forma como os remédios são armazenados passa a ser decisiva, já que o calor pode degradar substâncias ativas mesmo sem alterações visíveis no produto.

A coordenadora do curso de Farmácia da Estácio, professora Denise Basílio, explica que cada medicamento possui uma faixa segura de temperatura. Segundo ela, quando esse limite é ultrapassado, a substância ativa pode se degradar e perder o efeito esperado, ainda que comprimidos, soluções ou canetas aparentem estar em perfeitas condições.

Entre os medicamentos mais sensíveis estão as insulinas — como NPH, Regular, Lispro, Aspart e Glargina — e as canetas injetáveis utilizadas no controle glicêmico e no emagrecimento. Substâncias como semaglutida e liraglutida exigem refrigeração antes do uso e podem perder potência rapidamente quando expostas ao calor intenso. De acordo com Denise, falhas na conservação desses produtos podem provocar descontrole glicêmico e riscos imediatos ao paciente.

Anticoncepcionais orais, antibióticos líquidos, colírios, soluções orais e cremes dermatológicos também podem sofrer alterações quando armazenados acima da temperatura recomendada. A degradação causada pelo calor reduz a eficácia do medicamento e, em alguns casos, pode levar à formação de substâncias irritantes.

Um dos principais riscos, segundo a farmacêutica, é a perda silenciosa do efeito. O paciente mantém o uso correto, respeitando horários e doses, mas não obtém a resposta esperada do organismo. “A pessoa acredita estar protegida ou tratando a doença, mas o medicamento já não atua como deveria”, afirma.

Situações como viagens, deslocamentos prolongados e atividades ao ar livre aumentam a chance de exposição inadequada. Veículos fechados podem atingir temperaturas extremas em poucos minutos, tornando inadequado deixar medicamentos em porta-luvas, bancos ou bolsas expostas ao sol. A orientação é utilizar bolsas térmicas e, em viagens, transportar os produtos na bagagem de mão, onde a temperatura costuma ser mais controlada.

Mudanças de cor, odor, textura, turvação ou presença de partículas podem indicar que o medicamento foi comprometido. No caso das insulinas, coloração amarelada ou pontos suspensos exigem atenção. Mesmo sem sinais visíveis, a recomendação é interromper o uso em caso de dúvida e buscar orientação de um profissional de saúde.