Saúde SAÚDE
MS reduz gravidez na adolescência e atinge menor taxa em dez anos
Índice caiu entre 2022 e 2025 após ampliação de métodos contraceptivos de longa duração e ações educativas
23/12/2025 05h25 Atualizada há 6 meses
Por: João Paulo Ferreira

Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com a menor taxa de gravidez na adolescência da última década. Entre 2022 e 2025, o índice caiu de 14,92% para 12,65%, segundo dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc). No mesmo período, o Brasil registrou aumento de 3,87%, enquanto o Estado apresentou redução de 1,54%.

De acordo com a Coordenadora de Saúde da Mulher, Criança e Maternidade da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul, Andriely Gomes, a queda está diretamente relacionada à ampliação da oferta de métodos contraceptivos de longa duração, conhecidos como LARCs, somada a ações educativas e à qualificação das equipes da Atenção Primária. O Estado financia a compra desses métodos desde 2009.

“A expansão dos LARCs tem impacto direto no indicador. Quando a adolescente tem acesso a um método de longa duração, seguro e gratuito, ela evita uma gravidez não planejada e conquista mais autonomia sobre suas escolhas. Esse acesso ampliado explica parte importante da redução que observamos no Estado”, afirmou Andriely.

Em 2025, a implantação dos LARCs foi acelerada na rede pública com oficinas presenciais de capacitação em Nova Andradina, Campo Grande e Costa Rica. As atividades prepararam equipes para a inserção de DIU e implantes contraceptivos, com protocolos atualizados, ampliando a oferta qualificada desses métodos, especialmente para adolescentes em situação de vulnerabilidade.

Paralelamente, a SES intensificou ações educativas. Foram realizadas nove oficinas territoriais do projeto “Educar para Transformar” e uma webaula estadual sobre prevenção do HPV e gravidez na adolescência, com a participação de representantes dos 79 municípios. As iniciativas reforçaram a abordagem acolhedora e sem julgamentos sobre saúde sexual e reprodutiva.

“A informação correta e o acolhimento fazem diferença. Quando a adolescente encontra uma equipe preparada para conversar sem julgamento, ela entende que tem direitos, tem opções e pode planejar seu futuro”, explicou a coordenadora.

Os números mostram que a queda é sustentada. Entre 2015 e 2025, o total de nascidos vivos de mães entre 15 e 19 anos caiu de 8.315 para 2.861. Entre menores de 15 anos, a redução foi de 514 para 171 no mesmo período. Apesar dos avanços, a SES avalia que o tema exige acompanhamento permanente.

“A queda é consistente, mas ainda há desafios. Seguimos trabalhando para que nenhuma adolescente engravide por falta de informação, apoio ou acesso a métodos seguros”, destacou Andriely.

A Secretaria informou que continuará ampliando a qualificação das equipes, fortalecendo a integração com as áreas de educação e assistência social e expandindo a oferta de LARCs para todos os municípios. O objetivo é consolidar o acesso, avançar na prevenção e garantir autonomia reprodutiva às adolescentes.

“Cada ponto reduzido representa uma menina que tem mais tempo para estudar, sonhar e construir seu próprio caminho”, concluiu.