
A Prefeitura de Campo Grande iniciou o ano sob forte pressão fiscal após a arrecadação do IPTU em janeiro registrar queda estimada em R$ 200 milhões. O valor é suficiente para comprometer cerca de dois terços da folha mensal do funcionalismo municipal. O tombo representa retração próxima de 70% em relação ao mesmo período de 2025, quando o imposto rendeu R$ 286 milhões aos cofres da Capital.
O cenário se agravou diante do nível máximo de alerta nas contas públicas. Dados internos indicam que 99,94% da receita corrente do município está sendo consumida apenas para manter a máquina administrativa em funcionamento. A margem disponível para investimentos, manutenção de serviços e absorção de imprevistos tornou-se praticamente inexistente.
Na Câmara Municipal, o presidente da Casa, Papy, atribuiu o quadro à condução financeira da gestão da prefeita Adriane Lopes. Apesar das críticas à administração, o vereador fez apelo direto aos contribuintes para que mantenham o pagamento do imposto em dia, independentemente das disputas políticas.
Segundo Papy, o aumento da inadimplência amplia o desequilíbrio fiscal e pode gerar efeitos imediatos, como atrasos no pagamento de salários, contingenciamento de contratos e cortes em áreas consideradas sensíveis. Nos bastidores, técnicos da administração admitem que, sem uma recomposição rápida da arrecadação, o município pode enfrentar dificuldades financeiras já no primeiro trimestre do ano.