Mato Grosso do Sul consolidou a maior cobertura de telessaúde do Centro-Oeste após expansão superior a 500% entre 2022 e 2025. A ampliação dos serviços digitais de saúde fortaleceu o acesso à atenção especializada e contribuiu para reduzir filas de regulação no Sistema Único de Saúde (SUS).
Com a implantação da saúde digital em todo o território estadual, a estratégia passou a integrar a rotina da rede pública com telemedicina, telediagnóstico e outras modalidades de atendimento remoto. Em 2025, foram incorporados serviços como tele-ECG, teledermatologia, teleoftalmologia, teleconsultas, teleinterconsultas e teleconsultorias.
O tele-eletrocardiograma foi o serviço mais utilizado, com 84.880 exames realizados em 2025. No mesmo período, as teleinterconsultas somaram 18.630 atendimentos, ampliando o suporte especializado às equipes da Atenção Primária e permitindo que pacientes sejam conduzidos e acompanhados nos próprios municípios.
Dados do Ministério da Saúde apontam que todos os municípios de Mato Grosso do Sul já contam com ofertas de telessaúde. A organização dos serviços segue os eixos do Programa SUS Digital, que inclui formação permanente em saúde digital, uso de soluções tecnológicas e integração de dados e informações.
A expansão do telediagnóstico também impactou a regulação estadual. Atualmente, 60 municípios utilizam tele-ECG e 28 contam com teledermatologia. Outros oito participaram de campanha itinerante de teleoftalmologia, que realizou 954 exames.
Quatorze municípios registram alto índice de resolutividade por meio do teleatendimento, com redução significativa e, em alguns casos, eliminação da demanda reprimida por especialidades. Estão nessa lista Caracol, Aquidauana, Pedro Gomes, Brasilândia, Coxim, Fátima do Sul, Angélica, Anastácio, Deodápolis, Rio Negro, Sidrolândia, Selvíria, Vicentina e Bandeirantes.
Segundo a secretária-adjunta de Estado de Saúde, Crhistinne Maymone, o foco agora é consolidar o uso contínuo das ferramentas digitais. Ela afirma que os avanços demonstram o potencial da telessaúde para ampliar o acesso e reduzir desigualdades, e que a integração das soluções à rotina dos serviços é essencial para manter o impacto no atendimento.
A política estadual de saúde digital é coordenada pela Superintendência de Saúde Digital da Secretaria de Estado de Saúde (SES) em articulação com os municípios. De acordo com a superintendente Marcia Tomasi, a prioridade é qualificar o uso da estrutura já implantada e apoiar as equipes na incorporação da telessaúde ao processo de trabalho.
O avanço é sustentado por portarias federais publicadas em 2025 que reforçam a política de saúde digital no SUS e por investimentos do Novo PAC, que viabilizaram o envio de kits multimídia e equipamentos para Unidades Básicas de Saúde, ampliando a capacidade de teleatendimento e telediagnóstico.
O Núcleo de Telessaúde do Estado oferta atendimento remoto em diversas especialidades. As teleconsultorias abrangem áreas como clínica médica, infectologia, dermatologia, pediatria, nefrologia, obstetrícia, hematologia, psiquiatria, endocrinologia, pneumologia, neurologia, geriatria, reumatologia, ortopedia, medicina de família, psicologia, nutrição e enfermagem.
As teleinterconsultas permitem troca técnica entre profissionais para apoio à decisão clínica em especialidades como cardiologia, endocrinologia, pneumologia, neurologia, pediatria, psiquiatria, nefrologia, infectologia e gastroenterologia, incluindo acompanhamento de gestação de alto risco.
Já as teleconsultas conectam especialista e paciente diretamente, ampliando o acesso em áreas como endocrinologia, pneumologia, neurologia, pediatria, psicologia, nutrição, reumatologia e ortopedia.
Para a coordenadora do Telessaúde da SES, Rosângela Dobbro, a diversidade de modalidades contribui para os resultados. Segundo ela, a telessaúde aproxima o especialista do cidadão e apoia as equipes locais, refletindo em maior acesso e resolutividade na rede pública.