
"Gato que fica em cima do muro leva pedrada”, dizia meu avô. A frase nunca fez tanto sentido quanto agora.
Ver o Capitão Contar no meio do Carnaval, sorridente, enquanto a esquerda "cuspia" nos valores morais e em figuras que tanto representam para a direita quanto o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante todos esses dias de "festa", meu causou asco. Não pela festa em si. Mas pelo momento. Pela mensagem.
O Carnaval deste ano deixou claro que não existe trégua simbólica. A esquerda não faz política de boa vizinhança quando se trata de adversários. Ataca, constrange, expõe. A imagem do ex-presidente representado como palhaço, preso, humilhado em praça pública, não é folclore. É recado político e apesar de ultrapassarem todos os limites, era esperado. Agora zombarem dos valores de algo tão sagrado quanto a família, isso não pode ser aceito.
É por isso que ao ver o Capitão Contar em meio a tanta sujeira me causou, no mínimo, estranheza. Não quero acreditar que seus "novos companheiros" de partido estejam influenciando sua conduta.
A postura das lideranças da direita precisa ser coerente. Política também é gesto. Também é ambiente. Também é leitura de cenário.
Quando parte da base se sente atacada e hostilizada, ver um representante identificado com esse campo ideológico em clima festivo, ao lado de quem não esconde o desprezo pelo seu grupo político, gera ruído. Não é sobre intolerância cultural. É sobre posicionamento.
Na política, neutralidade raramente é vista como virtude. Muitas vezes é interpretada como fraqueza. Não se serve a dois senhores. Não se constrói liderança tentando agradar todos os lados.