Campo Grande registrou um marco na medicina experimental brasileira. Aos 19 anos, o militar do Exército Brasileiro Luiz Otávio Santos Nunez tornou-se o primeiro paciente de Mato Grosso do Sul a receber a polilaminina e também o mais jovem do país a passar pelo tratamento.
Tetraplégico desde outubro do ano passado, após um acidente com arma de fogo, o jovem precisou recorrer à Justiça para ter acesso à substância, que ainda está em fase experimental. A aplicação foi realizada no Hospital Militar de Campo Grande e ocorre sob acompanhamento clínico e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Doze dias após a aplicação da proteína, Luiz afirma ter recuperado um pequeno movimento na ponta do dedo indicador. Segundo ele, a mudança ocorreu no último domingo (1º).
“É um movimento mínimo, mas eu não conseguia fazer antes. Agora eu mexo a ponta do dedo indicador”, relatou.
A polilaminina é estudada há mais de duas décadas por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Produzida em laboratório, a substância reproduz a laminina, proteína essencial no desenvolvimento embrionário e na conexão entre neurônios.
Em casos de lesão medular, como o do militar, as fibras nervosas são rompidas, interrompendo os sinais elétricos entre o cérebro e o corpo. A proposta da terapia é estimular o crescimento dessas fibras e restabelecer parte da comunicação neural.
Além do movimento no dedo, Luiz afirma ter começado a perceber reações nos nervos das pernas, que haviam perdido sensibilidade após o acidente. Ele segue em fisioterapia como parte do processo de reabilitação.
“Eu concentro para tentar mexer e vejo os nervos trabalhando”, disse.
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