Saúde SAÚDE
VÍDEO: HU de Dourados retoma captação de órgãos e salva pacientes em MS e no Sul
Procedimento realizado após mais de dois anos garante transplantes e reforça rede de doação
20/02/2026 13h28
Por: João Paulo Ferreira
Órgãos captados no HU-UFGD foram destinados a pacientes de Campo Grande e do Rio Grande do Sul após autorização familiar e mobilização de equipes médicas

O Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD/Ebserh) realizou no início de fevereiro uma captação de órgãos que beneficiou três pacientes, em Mato Grosso do Sul e no Sul do país. A cirurgia ocorreu no dia 4 e marcou a retomada do procedimento na unidade após mais de dois anos.

Os órgãos captados foram o fígado e os rins de uma doadora de 44 anos, que teve morte encefálica. O fígado foi destinado a um paciente de Campo Grande e os rins enviados para receptores no Rio Grande do Sul, por meio da Central Nacional de Transplantes.

A paciente estava internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulta desde 27 de janeiro. Após a confirmação de morte cerebral, a equipe hospitalar acionou os profissionais responsáveis pelo processo de doação e acolheu a família para apresentar a possibilidade de doação.

“Com a morte cerebral, acionamos a equipe do hospital que trabalha nesta função e, junto com os profissionais da UTI, acolhemos a família e informamos sobre a possibilidade e oportunidade de doação”, explicou a psicóloga hospitalar Larissa Beatriz Andreatta.

A doação foi autorizada porque a paciente já havia manifestado em vida o desejo de ser doadora. Segundo a coordenadora da Equipe Hospitalar de Doação de Transplantes (e-DOT), enfermeira Ely Bueno da Silva Bispo, ainda há resistência por falta de diálogo familiar sobre o tema.

“Ainda encontramos dificuldades, pois é um assunto pouco discutido em casa. Algumas famílias recusam a doação por desconhecer qual seria o desejo do paciente, por isso é fundamental avisar a família sobre o desejo de ser doador”, afirmou.

O processo envolve profissionais de diferentes áreas, desde a identificação e diagnóstico do potencial doador até a cirurgia de captação e a logística de transporte dos órgãos. A operação durou cerca de três horas e foi realizada por equipe de Campo Grande, liderada pelo médico-cirurgião Gustavo Rapassi, responsável pelo programa de transplante de fígado em Mato Grosso do Sul.

Segundo Rapassi, o paciente que recebeu o fígado aguardava na fila há bastante tempo. “O paciente que vai receber o fígado estava na fila há bastante tempo, então essa doação vai ser muito importante”, disse.

Ele ressaltou que a conscientização da população é essencial para ampliar o número de transplantes. “Para qualquer modalidade de transplante, é fundamental que haja um doador. Mesmo quando a gente não utiliza o órgão na região, disponibilizamos para que receptores de outras regiões do país se beneficiem”, afirmou.

A organização dos transplantes ocorre por meio do Sistema Nacional de Transplantes, que coordena a distribuição conforme compatibilidade e tempo de espera. O médico destacou que o trabalho em rede permite que órgãos de diferentes regiões sejam aproveitados e evita perdas.

Esta foi a primeira captação de órgãos realizada no HU-UFGD desde 2023. A última havia ocorrido em outubro daquele ano, quando a família de uma criança de três anos, vítima de afogamento, autorizou a doação. Na ocasião, os órgãos viáveis foram encaminhados para Minas Gerais, de acordo com a compatibilidade dos receptores.

Confira o vídeo:

 

 
 
 
 
 
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