Quinta, 14 de Maio de 2026
17°C 27°C
Campo Grande, MS
Publicidade

Perito de MS descobre nova forma de identificar tiros mesmo após corpo estar em decomposição

Pesquisa publicada pela UFMS mostra que vestígios deixados por insetos podem ajudar a determinar a causa da morte em casos com decomposição avançada

25/02/2026 às 06h55 Atualizada em 25/02/2026 às 14h48
Por: João Paulo Ferreira
Compartilhe:
Estudo publicado em 2026 analisou vestígios biológicos, como pupários de moscas, para identificar resíduos de disparo em casos de decomposição avançada
Estudo publicado em 2026 analisou vestígios biológicos, como pupários de moscas, para identificar resíduos de disparo em casos de decomposição avançada

Estudo desenvolvido pelo perito médico-legista Guido Vieira Gomes, chefe do Núcleo Regional de Medicina Legal (NRML) de Dourados da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, foi publicado na revista científica Orbital, vinculada ao Instituto de Química da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). A pesquisa amplia as possibilidades técnicas da medicina legal ao analisar a aplicação da entomologia forense em investigações criminais.

O artigo deriva da tese de doutorado defendida pelo perito em 2025 e avalia a utilização de remanescentes entomológicos, como pupários de moscas, em perícias criminais. Esses pupários são estruturas rígidas deixadas pelos insetos após completarem seu ciclo de desenvolvimento e podem permanecer no solo mesmo quando o corpo já está em avançado estado de decomposição.

A pesquisa analisa a detecção de resíduos de disparo de arma de fogo nesses vestígios biológicos. Segundo o estudo, é possível identificar elementos químicos característicos desses resíduos nos pupários, o que pode contribuir para a determinação da causa da morte em situações em que os vestígios tradicionais já não estão preservados.

De acordo com o perito Guido Vieira Gomes, a iniciativa surgiu a partir da prática cotidiana na medicina legal. “Em ocorrências envolvendo corpos esqueletizados ou em decomposição avançada, a determinação da causa do óbito se torna um desafio. A análise de pupários pode representar uma fonte complementar de vestígios”, explicou.

A proposta do trabalho é ampliar as alternativas técnicas disponíveis em investigações complexas. Os resultados demonstram que a identificação de resíduos de disparo em remanescentes entomológicos pode auxiliar na elucidação de casos em que a perícia encontra limitações por conta do estado do corpo.

Para o legista, a publicação consolida uma linha de pesquisa que aproxima a produção acadêmica da realidade pericial. “A integração entre ciência e prática fortalece a qualidade técnica dos laudos e amplia as possibilidades de esclarecimento de casos”, afirmou.

O perito também destacou o caráter coletivo da pesquisa e o apoio institucional recebido durante o desenvolvimento do estudo, que contou com colaboração de professores, colegas e instituições envolvidas no projeto.

>Amostras de pupários analisadas no estudo que investigou a presença de resíduos de disparo de arma de fogo em vestígios entomológicos.
Amostras de pupários analisadas no estudo que investigou a presença de resíduos de disparo de arma de fogo em vestígios entomológicos

O artigo completo pode ser acessado no link:
https://periodicos.ufms.br/index.php/orbital/article/view/23477

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.