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Eclipse da Lua de sangue acontece nesta terça; veja o que será possível observar no Brasil

Fenômeno começa às 4h44 e terá apenas fases iniciais visíveis na maior parte do país

01/03/2026 às 11h18 Atualizada em 02/03/2026 às 09h32
Por: João Paulo Ferreira
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Foto: Marcello Casal Jr
Foto: Marcello Casal Jr

Um novo eclipse lunar está previsto para o dia 3 de março e poderá ser observado em Mato Grosso do Sul nas primeiras horas da manhã, mas sem a fase total. O fenômeno costuma mobilizar curiosos e especialistas, porém, desta vez, o Brasil não estará em posição favorável para acompanhar o espetáculo completo da chamada Lua de sangue.

O eclipse ocorre quando há um alinhamento preciso entre Sol, Terra e Lua.

“A Terra se coloca entre o Sol e a Lua. Então a Lua fica atrás da sombra que a Terra projeta. É um alinhamento desses três corpos”, explica o astrônomo Thiago Signorini Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Segundo ele, no eclipse parcial é possível ver a sombra da Terra avançando sobre o disco lunar, como se fosse “uma mordida” escurecendo a Lua cheia. Já no eclipse total ocorre o fenômeno mais aguardado.

“Quando ela está perfeitamente alinhada, a luz do Sol não consegue mais chegar diretamente à superfície da Lua. Mas atravessa a atmosfera da Terra antes de chegar lá. Só a parte vermelha da luz consegue passar, enquanto a azul é espalhada. Por isso a Lua fica avermelhada, como no pôr do sol”, afirma.

O apelido Lua de sangue, segundo o astrônomo, é uma expressão popular, não científica, que descreve o efeito visual provocado pela filtragem da luz na atmosfera terrestre.

Para a maior parte do território brasileiro, incluindo Mato Grosso do Sul, a visibilidade será limitada.

“Infelizmente, na maior parte do Brasil a gente só vai ver o eclipse penumbral, que é um leve escurecimento da Lua cheia e que é um efeito difícil de perceber”, diz Thiago.

Em cidades como São Paulo e Brasília, o fenômeno ocorre por volta das 6h da manhã (horário de Brasília), com a Lua já muito baixa no horizonte oeste e pouco antes do nascer do Sol. Em Mato Grosso do Sul, que está uma hora atrás, esse momento corresponde a aproximadamente 5h (horário de MS), também com a Lua próxima do horizonte, o que dificulta a observação.

A situação melhora levemente na região Norte. No Acre, Rondônia e oeste do Amazonas será possível acompanhar parte do eclipse parcial. “No Acre, por volta das 5h da manhã, já começa a ser possível perceber a sombra avançando. O máximo do encobrimento ocorre perto das 5h45, quando quase toda a Lua estará coberta”, explica.

Ainda assim, ele ressalta que o Brasil não é o melhor ponto do planeta para este eclipse. As melhores condições estarão no Pacífico, em regiões como Nova Zelândia e ilhas como Fiji, onde a totalidade será plenamente visível.

A astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, explica que todo eclipse total da Lua passa por cinco etapas: penumbral, parcial, total, parcial e penumbral novamente.

“O eclipse penumbral ocorre quando a Lua entra na sombra mais clara da Terra. Nessa fase, quase não percebemos diferença no brilho. Depois, quando começa a entrar na sombra escura, tem início o eclipse parcial, quando vemos a Lua ficando cada vez mais escura, em formato de mordidinha”, afirma.

O eclipse total acontece quando a Lua está completamente imersa na umbra — a parte mais escura da sombra terrestre.

No caso do dia 3 de março, porém, o Brasil verá apenas as fases iniciais. “Quando a Lua estiver totalmente eclipsada, ela já estará abaixo do horizonte para nós. O Brasil não vai ver o eclipse total”, diz Josina.

Cronograma adaptado para Mato Grosso do Sul (horário de MS):

4h44 – início do eclipse penumbral
5h50 – início do eclipse parcial
7h04 às 8h02 – fase total (não visível em no Brasil)

Quanto mais a oeste a localização dentro do país, maior tende a ser a porcentagem de obscurecimento visível antes de a Lua se pôr. No extremo oeste, o encobrimento poderá chegar a 96%, ainda classificado tecnicamente como parcial.

Segundo a astrônoma, eclipses lunares são relativamente frequentes no Brasil. O próximo eclipse total da Lua com todas as fases visíveis em todo o território nacional está previsto para a noite de 25 para 26 de junho de 2029. Ainda em 2026 haverá um eclipse parcial quase total, com 93% de magnitude, visível em todo o país, na noite de 27 para 28 de agosto. Em 2027, os três eclipses previstos serão apenas penumbrais. Já em 2028 haverá eclipses parciais, mas nenhum total visível no Brasil.

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