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“Frouxos, covardes e omissos”: Moraes vota para tornar Silas Malafaia réu por ofensas ao Alto Comando do Exército
Ministro do STF considerou que declarações do pastor contra generais de quatro estrelas podem configurar crimes de calúnia e injúria; julgamento ocorre em sessão virtual da Primeira Turma
06/03/2026 16h35 Atualizada há 3 meses
Por: João Paulo Ferreira

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (6) para que o pastor e líder evangélico Silas Malafaia se torne réu por supostos crimes de calúnia e injúria contra generais de quatro estrelas que integram o Alto Comando do Exército.

O caso começou a ser analisado pela Primeira Turma do STF em sessão virtual iniciada na sexta-feira. Até o momento, apenas o relator apresentou voto. Os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia têm prazo até as 23h59 de 13 de março para registrar seus posicionamentos.

A denúncia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) após um discurso feito por Malafaia durante manifestação realizada na Avenida Paulista, em São Paulo, em 6 de abril de 2025.

Na ocasião, o pastor criticou o Alto Comando do Exército ao comentar a prisão do general Walter Braga Netto, investigado na apuração sobre a tentativa de golpe para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder após as eleições de 2022.

Durante o discurso, feito em cima de um carro de som, Malafaia afirmou: “Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes”. Em seguida, acrescentou: “Cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem”.

O vídeo com a declaração foi posteriormente publicado nas redes sociais do pastor e, segundo a PGR, ultrapassou 300 mil visualizações. Na publicação, Malafaia escreveu: “Minha fala contra os generais covardes do alto comando, não contra o glorioso Exército Brasileiro”.

Para a Procuradoria-Geral da República, ao chamar os militares de “covardes”, o pastor pode ter cometido calúnia, já que a covardia é tipificada como crime no Código Penal Militar. Já a acusação de injúria sustenta que as declarações tiveram o objetivo de ofender diretamente os integrantes do Alto Comando.

A denúncia também solicita a aplicação de agravantes, argumentando que as ofensas foram dirigidas a agentes públicos em razão de suas funções, feitas diante de grande número de pessoas e também contra autoridades com mais de 60 anos.

A defesa de Malafaia afirma que o caso não deveria tramitar no Supremo Tribunal Federal, já que o pastor não possui foro por prerrogativa de função. Os advogados também sustentam que as declarações não causaram dano suficiente para justificar a denúncia apresentada pela PGR.

Ao votar, Moraes rejeitou esse argumento e afirmou que o caso possui ligação direta com o chamado Inquérito das Fake News, instaurado em 2019 para investigar ataques e campanhas de difamação contra ministros do STF e outras autoridades.