Saúde SAÚDE
Moradora de Ribas do Rio Pardo doa medula e ajuda a salvar vida
Após anos cadastrada no Redome, Renata Rodrigues foi chamada para doação e viajou a São Paulo para realizar o procedimento
09/03/2026 06h26 Atualizada há 3 meses
Por: João Paulo Ferreira

Uma moradora de Ribas do Rio Pardo ajudou a salvar uma vida após ser chamada pelo Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Aos 31 anos, Renata Rodrigues realizou a doação de medula óssea em 28 de outubro de 2025, depois de anos cadastrada no sistema nacional de doadores.

O cadastro havia sido feito quando ela tinha 18 anos, durante uma campanha realizada no município. Na época, Renata já participava de ações de doação de sangue promovidas por um grupo de voluntários ligado ao Rotary em Ribas do Rio Pardo.

“Eu tinha 17 anos quando consegui doar sangue pela primeira vez”, lembra.

Pouco tempo depois surgiu a oportunidade de se cadastrar também como doadora de medula óssea. A decisão veio acompanhada de dúvidas.

“Perguntei se doía. Me explicaram que ali era só o cadastro e que a chance de compatibilidade é rara, mas que, se acontecesse, entrariam em contato”.

Ela autorizou a inclusão no Redome e seguiu a vida normalmente. Desde então, nunca mudou o telefone nem o endereço cadastrados.

O contato do Redome

Anos depois veio o contato inesperado. No ano passado, Renata recebeu uma mensagem perguntando se poderia ir a Campo Grande para realizar exames por suspeita de compatibilidade com um paciente que aguardava transplante.

Ainda não era uma confirmação da doação. Ela fez a coleta de sangue e foi informada de que o resultado final poderia levar até 180 dias.

A resposta chegou quase no fim do prazo.

“Com cerca de 175 dias, eles me ligaram perguntando se eu queria continuar. Eu disse sim na hora”.

Naquele momento, Renata era mãe de Liz, de 7 anos, e de Leonardo, que tinha 1 ano e 7 meses. A decisão exigiu reorganizar a rotina familiar para ficar alguns dias fora de casa.

“Não hesitei, mas logo pensei: como vai funcionar? Tenho duas crianças pequenas”.

Como funciona a doação

Após a confirmação, Renata foi encaminhada para São Paulo para realizar exames complementares e receber orientações médicas.

Existem duas formas de doação de medula óssea: a punção na região da bacia ou a coleta por aférese. No caso dela, foi indicado o segundo método.

Na aférese, o doador recebe medicação por alguns dias para aumentar a quantidade de células-tronco no sangue. Depois, o sangue passa por uma máquina que separa as células necessárias e devolve o restante ao organismo.

Todo o procedimento é realizado em centro especializado e custeado pelo Redome, pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) e pelo Ministério da Saúde.

Renata permaneceu cerca de seis horas ligada ao equipamento durante a coleta.

“Eles explicam tudo com muita clareza. Me senti segura o tempo todo”.

Nove dias longe da família

Ao todo, ela ficou nove dias em São Paulo entre exames, preparação e a doação. O período longe da família foi o momento mais difícil de todo o processo.

“Ficar nove dias longe deles pesou muito. Meu filho ainda era muito pequeno. Eu já não amamentava, mas o apego é muito forte. Mas eu sabia que era por uma causa valiosa”.

Os médicos também explicaram que poderia ser necessária uma segunda coleta caso a quantidade de células não fosse suficiente. Quando recebeu a confirmação de que a primeira havia atendido à necessidade do paciente, a emoção veio forte.

“Quando a médica disse que tinha dado certo e que não precisaria repetir, eu desabei. Foi uma emoção muito grande”.

Anonimato e esperança

Pelas regras do sistema de transplantes, o doador não recebe informações detalhadas sobre quem recebe a medula. Renata sabe apenas que o paciente é brasileiro.

“A gente pensa na pessoa que está do outro lado, esperando. Eu espero que esteja bem, que tenha saúde. Que isso tenha sido um recomeço”.

Ao final do processo, ela recebeu uma camiseta simbólica de doadora de medula óssea.

“É uma experiência única. Vou lembrar para sempre com muito carinho”.

Cadastro em Mato Grosso do Sul

De volta à rotina em Ribas do Rio Pardo, onde trabalha em uma loja de roupas infantis, Renata decidiu compartilhar a própria experiência para incentivar outras pessoas a se cadastrarem como doadoras.

“Doem sangue. Se cadastrem como doadores de medula óssea. É algo que pode mudar completamente a vida de alguém”.

Segundo a chefe do setor de captação do Hemosul, Lucéia Fernandes, dados do Redome indicam que sete moradores de Mato Grosso do Sul efetivaram a doação de medula óssea em 2024.

Ao longo dos anos, mais de 100 doadores do Estado já foram compatíveis com pacientes e realizaram a doação, tanto para pessoas no Brasil quanto no exterior.

Atualmente, Mato Grosso do Sul soma 197.502 cadastros de doadores voluntários de medula óssea registrados entre 2001 e 2025. O cadastro pode ser feito nas unidades da rede Hemosul em Campo Grande e no interior.

Foto: Secom Mato Grosso do Sul
Foto: Secom Mato Grosso do Sul