
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teve um surto dentro da Penitenciária Federal de Brasília após tomar conhecimento de que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter sua prisão preventiva. Segundo informações divulgadas pela revista Veja, Vorcaro reagiu com violência à decisão, desferindo socos contra a parede da cela, o que teria provocado ferimentos nas mãos e exigido atendimento médico dentro da unidade prisional.
Relatos de pessoas próximas indicam que, durante o momento de descontrole, o empresário teria gritado nomes de políticos e autoridades com quem, segundo ele, mantinha relações financeiras. De acordo com esses interlocutores, Vorcaro reclamava que tais contatos não estariam atuando para ajudá-lo a deixar a prisão.
A reação ocorreu logo após a Segunda Turma do STF formar maioria para manter o banqueiro detido. O relator do caso, ministro André Mendonça, votou pela manutenção da prisão preventiva, posição acompanhada pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques. Ainda resta o voto do ministro Gilmar Mendes, decano da Corte.
Paralelamente ao julgamento, a defesa de Vorcaro passou por mudanças relevantes. O advogado Pierpaolo Bottini, do escritório Bottini & Tamasauskas, deixou o caso alegando motivos pessoais. Em seu lugar assume o criminalista José Luis Oliveira Lima, conhecido por conduzir acordos de delação premiada em investigações de grande repercussão nacional.
Oliveira Lima atuou, por exemplo, na delação do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, no âmbito da Operação Lava Jato, além de ter integrado a defesa do ex-ministro José Dirceu no processo do mensalão, em 2012. Mais recentemente, também representou o general Walter Braga Netto em investigações relacionadas à tentativa de golpe de Estado.
Segundo informações publicadas pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Vorcaro aguardava justamente a decisão do STF sobre sua prisão para definir os próximos passos da estratégia jurídica. Com a manutenção da detenção, a nova defesa passou a avaliar a possibilidade de negociar um acordo de delação premiada.