
Campo Grande será sede, a partir do dia 23 de março, da COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). O evento reúne representantes de pelo menos 130 países e deve atrair cerca de 3 mil participantes, entre pesquisadores, cientistas, delegações governamentais e integrantes da sociedade civil, colocando a Capital no centro das discussões globais sobre conservação ambiental.
A conferência segue até o dia 29 de março e terá como foco principal os acordos internacionais voltados à proteção de espécies migratórias, especialmente aves. Esses animais atravessam fronteiras ao longo de seus ciclos naturais, o que exige cooperação entre países para garantir a preservação das rotas e habitats.
A escolha de Campo Grande como sede está relacionada à posição estratégica da cidade em rotas migratórias e à proximidade com o Pantanal, um dos principais biomas do planeta em biodiversidade. O município registra cerca de 400 espécies de aves, sendo aproximadamente 80 migratórias. Entre elas está o falcão-peregrino, considerado o animal mais rápido do mundo, capaz de ultrapassar 320 km/h em mergulho, além da tesourinha, comum em áreas urbanas.
Durante o período da COP15, a cidade terá alterações operacionais para receber as delegações internacionais. Uma das áreas centrais do evento será a chamada “Blue Zone”, espaço onde ocorrem as negociações oficiais e que segue protocolos internacionais de segurança e acesso.
A estrutura de segurança contará com atuação integrada entre forças municipais e outros órgãos, incluindo monitoramento de rotas, escoltas e apoio logístico. No trânsito, haverá ajustes operacionais e instalação de sinalização bilíngue em pontos estratégicos para facilitar a circulação de visitantes estrangeiros.
Na área da saúde, está prevista a instalação de um ponto de atendimento com equipe multiprofissional no Shopping Bosque dos Ipês, com suporte para atendimentos de urgência durante o evento. Já no setor de turismo, materiais informativos em português, inglês e espanhol serão distribuídos, com roteiros voltados à gastronomia e à observação de aves.
O evento também terá desdobramentos na educação. Escolas da rede municipal estão trabalhando o tema em sala de aula, com conteúdos voltados à conscientização ambiental e à importância da preservação das espécies migratórias.
Como legado, está prevista a criação do chamado “Bosque da COP15”, em uma área no bairro Carandá Bosque. O espaço deve receber cerca de 200 árvores nativas do cerrado e frutíferas, ampliando a cobertura vegetal urbana.
A COP15 da CMS reúne países signatários para discutir políticas e estratégias de conservação da fauna migratória em escala global, consolidando acordos que impactam diretamente a proteção da biodiversidade em diferentes regiões do mundo.