Um dia após prisão do médico anestesita que estuprou uma mulher durante o parto no Rio de Janeiro, um estudante de medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) gerou revolta nas redes sociais após satirizar um texto que refletia estupro e violência de gênero.
No texto original, publicado em seu perfil no Instagram, a Fotógrafa Tracy Figg descreve lugares e circunstâncias em que mulheres estariam vulneráveis ao perigo do estupro. "Na infância. Na pré-adolescência. Adultas. Idosas. No Parto, na Igreja, em casa", diz o texto.
O post viralizou na última terça-feira (12), também aponta como as mulheres correm riscos de serem violentadas por familiares e companheiros do gênero masculino. "Pelo pai, pelo padrasto, pelo avô, pelo tio. Nem todo homem, mas sempre um homem", finaliza.
Após a publicação, o perfil do estudante de medicina na UFMS, decidiu se posicionar fazendo uma sátira do texto e causou revolta nas redes sociais:
"No cruzamento da preferencial/ Com placa de pare/ Na mudança de pista/ No sinal vermelho/ Na pista molhada/ Loiras/ Morenas/ NA CURVA ACENTUADA/ No fi de rua/ Na estra de terra de qualquer cidade/ No acostamento, no viaduto e em estrada/ Por não dar a seta, por não acender os faróis, por não ligar o pisca-alerta, por não olhar no retrovisor, por dar a luz alta na cidade, por mexer no celular, por não trocar o pneu careca, por não saber fazer baliza, por correr em área escolar, por invadir a pista ao lado, por andar na contramão, por fazer conversão a mil. Nem toda mulher, mas sempre uma mulher".
Além de satirizar o contexto do estupro, o texto do estudante de medicina se utiliza de um velho argumento machista: de que as mulheres não são boas motoristas.
Após ser questionado, o estudante usou um argumento esdrúxulo para se defender: "Fiz um texto satírico justamente para expor, [o texto original] além de ridículo é bem transfóbico. Não existem pessoas com pênis que não são homens? E não existe estupro por parte de mulheres cis? Texto ridículo por texto ridículo, eu prefiro o meu. Tit for tat".
Posteriormente, o estudante de medicina voltou a se defender e afirmou que "mulheres também estupram". "Sempre um homem? ´Obvio que o meu texto é ridículo, essa era a intenção desde o começo, visto que o meu texto é satírico e com o único fim de expor a generalização ridícula que foi feita no texto original, pois: mulheres também estupram, mulheres também cometem importunação sexual. Assim como homens também cometem infração de trânsito".
A UFMS não se pronunciou sobre a postura de seu estudante.