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Pantanal e Bonito colocam MS no mapa global da biodiversidade e do ecoturismo

Estado reúne áreas de observação de fauna, rotas de espécies migratórias e destinos turísticos que ganharam vitrine internacional durante a COP15, em Campo Grande

30/03/2026 às 06h37 Atualizada em 30/03/2026 às 14h50
Por: João Paulo Ferreira
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Foto: Secom Mato Grosso do Sul
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Mato Grosso do Sul voltou a projetar o Pantanal e a região de Bonito no cenário internacional ao sediar, entre os dias 23 e 29 de março, em Campo Grande, a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, a COP15. Com áreas de Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e Chaco, o Estado concentra ambientes usados por animais residentes e migratórios e tem no turismo de natureza uma das principais vitrines dessa biodiversidade.

No Pantanal sul-mato-grossense e na faixa que inclui municípios como Bonito, Jardim e Miranda, a observação de animais em vida livre é um dos principais atrativos para visitantes. Espécies como onça-pintada, tuiuiú, araras, tamanduá-bandeira, cervo-do-pantanal, ema e diferentes aves aquáticas fazem parte da paisagem em áreas turísticas e de conservação.

Segundo o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, o Pantanal está entre os principais pontos de parada de espécies migratórias do continente. Ele afirmou que aves saem de regiões do Hemisfério Norte, como Alasca, bacia do Rio Hudson e Ontário, e chegam ao Pantanal para descanso e permanência até o fim do inverno no Norte.

Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul
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A discussão sobre esse fluxo migratório esteve no centro da COP15, conferência realizada pela primeira vez no Brasil e que reuniu representantes de 133 países em Campo Grande. O evento tratou de medidas voltadas à proteção de espécies migratórias e ampliou a exposição internacional sobre áreas estratégicas de conservação em Mato Grosso do Sul.

Na região da Serra da Bodoquena, o Buraco das Araras aparece como um dos pontos de observação de aves do Estado. No local, que fica em área de proteção ambiental e corredor ecológico entre Cerrado e Pantanal, é possível avistar espécies como araras, mutuns, garças e bem-te-vis, além de animais terrestres como tatu, tamanduá, cervo-do-pantanal e ema.

Em áreas próximas, como a Reserva Particular do Patrimônio Natural Rio da Prata, aves migratórias dividem espaço com espécies residentes. Entre as espécies observadas na região estão o pernilongo-de-costas-brancas, o irerê e a marreca-cabocla, apontadas como visitantes que encontram abrigo e alimento nos campos pantaneiros durante o deslocamento.

Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul
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Foto: Secom Mato Grosso do Sul
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Agostinho afirmou que a conservação dessas espécies tem efeito direto em funções ecológicas como polinização, dispersão de sementes, reciclagem de nutrientes e controle de pragas. Ele também citou a relação do tema com a gripe aviária, já que aves migratórias podem participar da disseminação do vírus.

Nas águas claras dos rios da Prata e Olho d’Água, outro ponto de atração turística da região de Bonito, a fauna aquática também chama atenção. Durante flutuações, turistas conseguem observar diferentes espécies de peixes, entre elas o dourado, citado como migratório por realizar deslocamentos sazonais ligados principalmente à reprodução.

Ao explicar a composição da fauna pantaneira, Agostinho disse que o Pantanal não se destaca por grande número de espécies endêmicas, mas pela mistura de animais de diferentes biomas. No norte, há influência amazônica; no sul de Mato Grosso do Sul, aparecem espécies do Cerrado e do Chaco; em áreas como Serra do Amolar, há presença ligada às florestas chiquitanas; e na Serra da Bodoquena, a influência é da Mata Atlântica.

Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul
Foto: Secom Mato Grosso do Sul
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O biólogo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Bonito, Lucas Yanai, afirmou que a diversidade de ambientes em Mato Grosso do Sul favorece essa concentração de fauna em uma área relativamente próxima. Segundo ele, corredores ecológicos formados por reservas legais, matas ciliares, parques e unidades de conservação ajudam na circulação, alimentação e reprodução de espécies, inclusive as migratórias.

Yanai também defendeu que conservação e atividade econômica podem coexistir quando há boas práticas no uso da terra. Ele citou a importância da conexão entre propriedades rurais e áreas preservadas para manter rotas naturais de deslocamento de animais.

Na região de Miranda, onde o Pantanal se impõe com mais força na paisagem, fazendas turísticas e áreas de mata atraem visitantes interessados em observar animais soltos. O guia de turismo Edir Alves da Silva afirmou que o interesse dos turistas se concentra principalmente na possibilidade de ver espécies em vida livre, com destaque para a onça-pintada, o tamanduá-bandeira, o tuiuiú e até peixes como o pintado.

Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul
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Ele também relacionou a presença de espécies migratórias às mudanças sazonais do Pantanal. Segundo o guia, os períodos de chuva e alagamento ampliam a oferta de água e insetos, criando condições favoráveis para aves que buscam locais de alimentação e reprodução.

No setor turístico, a realização da COP15 foi usada pelo Estado para ampliar a visibilidade internacional de seus destinos de natureza. O diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, Bruno Wendling, afirmou que o evento abriu espaço para apresentar o Pantanal e a região de Bonito ao público estrangeiro, além do trabalho de conservação feito nesses destinos.

Bonito é tratado pelo governo estadual como principal polo de ecoturismo da região da Serra da Bodoquena, que inclui também Jardim e Bodoquena. O município acumula certificações e títulos ligados à sustentabilidade e ao turismo responsável, além de ter sido eleito 18 vezes, por voto popular, como melhor destino de ecoturismo do Brasil em premiação da revista Viagem e Turismo.

Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul
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Já o Pantanal segue como principal vitrine da fauna sul-mato-grossense. O bioma, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade, ocupa cerca de 250 mil quilômetros quadrados em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com 67% da área pantaneira localizada em território sul-mato-grossense.

A atividade turística na região se apoia na observação da vida silvestre em fazendas, barcos-hotel e lodges, com acompanhamento de guias especializados. Ao mesmo tempo, propriedades rurais passaram a adaptar estruturas para receber turistas sem abandonar a pecuária tradicional, modelo que vem sendo usado como base do turismo de natureza no bioma.

Dados divulgados pelo setor de turismo estadual apontam que o Pantanal abriga mais de 4,7 mil espécies de animais e plantas. No caso das aves, Mato Grosso do Sul soma mais de 670 espécies registradas, o equivalente a cerca de 35% da avifauna brasileira, número que fortalece o aviturismo como um dos segmentos em expansão no Estado.

A combinação entre Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e Chaco ajuda a explicar essa diversidade e também sustenta o argumento usado pelo Estado para se vender no mercado internacional como destino de ecoturismo, observação de fauna e turismo sustentável.

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