Saúde SAÚDE
Dinheiro da saúde sai de Brasília, passa pelo Estado e chega às cidades; entenda quem paga e quem atende no SUS
Modelo tripartite divide responsabilidades e explica como recursos financiam desde postos de saúde até hospitais de alta complexidade
30/03/2026 07h02 Atualizada há 3 meses
Por: João Paulo Ferreira

O financiamento da saúde pública no Brasil é dividido entre União, estados e municípios, dentro de um modelo de gestão compartilhada do SUS (Sistema Único de Saúde). Na prática, isso significa que o dinheiro que banca consultas, vacinação, exames, cirurgias, medicamentos e atendimento hospitalar sai de diferentes esferas de governo e chega aos serviços por meio de repasses e aplicações diretas.

Esse formato é chamado de gestão tripartite. Nele, a União define políticas nacionais e faz repasses estratégicos, os estados coordenam a rede regional e dão suporte aos municípios, e as prefeituras ficam responsáveis pela execução direta da maior parte dos atendimentos, principalmente na atenção básica.

É nos municípios que se concentra boa parte da assistência prestada à população, como o atendimento em unidades básicas de saúde, vacinação, acompanhamento de pacientes e ações de prevenção. Já os estados atuam na organização regional da rede e na oferta de serviços de média e alta complexidade, como hospitais regionais, centros especializados, transplantes e programas específicos.

Grande parte do dinheiro chega aos municípios por meio das chamadas transferências “fundo a fundo”. Nesse sistema, os recursos saem do Fundo Nacional de Saúde e seguem para os fundos estaduais e municipais, que passam a custear serviços, programas e ações na rede pública.

Segundo o secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, o financiamento só se concretiza quando o recurso chega ao atendimento direto. “O financiamento da saúde é compartilhado, mas ele só se concretiza de fato quando chega na ponta, no atendimento à população. Por isso, é fundamental essa articulação entre União, Estado e municípios, garantindo que os recursos sejam aplicados de forma eficiente e cheguem onde as pessoas mais precisam”, afirmou.

Os recursos da saúde pública são usados em diferentes frentes da rede, como atendimento nas UBS, urgência e emergência, consultas, exames, cirurgias, campanhas de vacinação, programas de prevenção, custeio de hospitais e unidades especializadas. Também entram nessa conta a compra de medicamentos e equipamentos, a manutenção das unidades e o pagamento de profissionais.

Em Mato Grosso do Sul, dados do RDQA (Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior) apontam que, em 2025, foram aplicados mais de R$ 2,95 bilhões em ações e serviços públicos de saúde, considerando diferentes fontes de financiamento. Desse total, R$ 2,39 bilhões vieram de recursos próprios do Estado, o equivalente a 12,26% da receita estadual, percentual acima do mínimo constitucional.

Maurício Simões disse que esse volume de investimento é necessário para manter a estrutura em funcionamento e ampliar o acesso da população aos serviços. “Esse investimento é essencial para manter a rede funcionando e ampliar o acesso da população aos serviços. O Estado tem atuado de forma contínua para fortalecer a assistência e apoiar os municípios em todas as regiões”, declarou.

Apesar do financiamento compartilhado, a execução dos serviços recai majoritariamente sobre os municípios, sobretudo na Atenção Primária. Isso inclui a porta de entrada mais comum do SUS, onde o paciente busca consultas iniciais, acompanhamento contínuo e encaminhamentos para outros níveis de atendimento.

O papel do Estado, nesse contexto, é articular a rede regional para que o paciente consiga avançar do atendimento básico para serviços mais complexos quando necessário. A lógica do SUS é justamente integrar essas etapas, conectando unidades básicas, centros especializados, serviços de urgência e hospitais.

Na avaliação da Secretaria de Estado de Saúde, essa divisão de funções permite que o sistema opere de forma encadeada, com cada esfera assumindo parte da gestão e do financiamento. “O Estado tem um papel central na organização da rede de saúde, articulando os serviços e ampliando o acesso da população. Esse trabalho é essencial para garantir mais qualidade e eficiência no atendimento em todas as regiões”, disse o secretário.