Saúde CADÊ AS DOSES?
MS tem mais casos e mortes de chikungunya, mas ainda não recebeu vacinas do governo federal
Estado lidera incidência e óbitos no país, foi incluído em projeto-piloto, mas ainda não recebeu doses nem tem definição de cidades atendidas
02/04/2026 08h33 Atualizada há 3 meses
Por: João Paulo Ferreira
Vacina contra chikungunya já foi aprovada no Brasil e integra projeto-piloto do Ministério da Saúde, mas Mato Grosso do Sul ainda não recebeu doses para iniciar a imunização

Mato Grosso do Sul registra hoje o cenário mais grave da chikungunya no Brasil, com o maior número proporcional de casos e também o maior total de mortes confirmadas até o momento. Mesmo assim, o estado ainda não iniciou a vacinação e segue sem receber doses do governo federal.

Dados mais recentes apontam que MS soma 7 mortes por chikungunya e apresenta incidência de 122,7 casos a cada 100 mil habitantes, índice que coloca o estado na liderança nacional da doença. O cenário indica transmissão ativa e pressão sobre a rede de saúde em diferentes municípios.

Apesar disso, a vacinação ainda não começou no estado. A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES-MS) confirmou que o estado foi incluído no projeto-piloto do Ministério da Saúde para aplicação da vacina contra chikungunya. No entanto, até agora, nenhuma dose foi enviada.

Além da ausência de vacinas, ainda não há definição oficial sobre quantas doses serão destinadas ao estado nem quais cidades devem ser contempladas nesta primeira fase. A execução da imunização depende diretamente da distribuição feita pelo governo federal, responsável por coordenar o programa nacional.

Enquanto Mato Grosso do Sul aguarda, outras regiões do país já iniciaram a vacinação. Em São Paulo, o município de Mirassol começou a aplicação das doses. Em Minas Gerais, Uberlândia também já deu início à imunização. Os dois locais integram a fase inicial da estratégia, mesmo com cenários menos graves que o registrado em MS.

O Ministério da Saúde definiu que a vacinação contra chikungunya será feita inicialmente de forma limitada, em um projeto-piloto. Entre os critérios considerados estão a incidência da doença, a capacidade de aplicação das doses e a estrutura local para acompanhamento dos vacinados. A proposta é começar por cidades selecionadas e ampliar gradualmente a cobertura para outras regiões.

Na prática, porém, Mato Grosso do Sul, que lidera os indicadores nacionais, ainda não recebeu as doses nem tem calendário definido para início da vacinação. A ausência de cronograma oficial mantém a imunização no estado apenas na fase de previsão.

A vacina contra chikungunya foi recentemente aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e passou a integrar as estratégias de enfrentamento da doença no país. A expectativa é que, com a ampliação da distribuição, estados com maior incidência, como Mato Grosso do Sul, sejam contemplados nas próximas etapas.

A chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue e da zika. A doença provoca febre alta, dores intensas nas articulações e pode deixar sequelas com dor persistente por meses, o que aumenta o impacto sobre a saúde da população.

Com o avanço dos casos e o número de mortes já confirmado, a expectativa no estado se concentra na definição do envio das vacinas e no início efetivo da imunização, que ainda não tem data para começar em Mato Grosso do Sul.