Saúde GESTÃO MARÇAL FILHO
Prefeitura perde controle e chikungunya dispara em Dourados; Governo Federal entra com força-tarefa
Município soma milhares de notificações, mortes e concentração de casos em aldeias enquanto União mobiliza equipes, recursos e apoio militar para conter avanço da doença
04/04/2026 12h52 Atualizada há 2 meses
Por: João Paulo Ferreira Fonte:
Imagem ilustrativa

Dourados enfrenta uma emergência sanitária provocada pelo avanço da chikungunya, com milhares de casos registrados, mortes confirmadas e atuação direta do Governo Federal para conter a crise. O município decretou situação de emergência no fim de março, após o aumento acelerado de notificações e a pressão sobre o sistema de saúde, especialmente nas comunidades indígenas.

Os dados mais recentes apontam 2.812 notificações da doença, com 1.198 casos confirmados e outros 1.184 em investigação. Até o momento, foram registradas cinco mortes em Dourados, todas entre indígenas, incluindo dois bebês. No contexto estadual, Mato Grosso do Sul soma sete óbitos relacionados à chikungunya, concentrando a maior parte no município.

A crise se intensifica nas aldeias Jaguapiru e Bororó, onde está a maior concentração de casos. Aproximadamente 68,6% dos registros confirmados estão nessas comunidades, o que evidencia a vulnerabilidade da população indígena diante da doença e das condições estruturais locais.

Diante do avanço da epidemia e da incapacidade de contenção no nível municipal, o Governo Federal passou a atuar diretamente no município com uma força-tarefa coordenada entre diferentes órgãos. A resposta inclui o envio de equipes da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), reforço logístico e liberação de recursos emergenciais.

Ao todo, foram destinados mais de R$ 3,1 milhões para ações imediatas. Desse total, cerca de R$ 1,3 milhão é voltado para assistência emergencial e ajuda humanitária, R$ 974 mil para limpeza urbana e remoção de resíduos, e R$ 855 mil para vigilância em saúde e controle da doença.

A Força Nacional do SUS mobilizou 40 profissionais, sendo 26 já em atuação direta nas áreas mais afetadas. As equipes realizaram até agora 1.288 atendimentos clínicos, 81 remoções de pacientes e 225 visitas domiciliares, ampliando o alcance do atendimento nas regiões mais críticas.

Além disso, foram contratados 50 agentes de combate a endemias, com parte já em campo e o restante em fase de treinamento. O apoio também inclui a presença de 40 militares do Exército, com viaturas atuando nas ações logísticas e operacionais dentro das aldeias.

As equipes em campo intensificaram as ações de bloqueio e controle da doença, com busca ativa de casos, visitas casa a casa, eliminação de criadouros do mosquito, aplicação de inseticida e instalação de armadilhas com larvicida. Até o momento, foram inspecionados 4.319 imóveis, com 1.004 focos do mosquito identificados.

No apoio social, está prevista a distribuição de 6 mil cestas básicas, além do reforço no abastecimento de água nas comunidades afetadas. Medicamentos também foram enviados por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), enquanto campanhas de prevenção alcançaram mais de 234 mil moradores com orientações sobre a doença.

A resposta federal também incluiu a criação de uma Sala de Situação em Brasília, que centraliza o monitoramento da crise desde o dia 25 de março, com participação de diferentes ministérios, órgãos federais, além de articulação com o governo estadual e autoridades locais.

O avanço da chikungunya em Dourados ocorre em um cenário de dificuldades estruturais nas áreas mais atingidas, com relatos de acúmulo de lixo, problemas no saneamento e irregularidade no abastecimento de água, fatores que favorecem a proliferação do mosquito transmissor.

A evolução da crise levanta questionamentos sobre o tempo de resposta entre os primeiros casos graves e a decretação da emergência, além da capacidade da rede municipal de vigilância epidemiológica e atendimento em saúde diante do crescimento dos casos.