O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, esteve em Dourados nesta sexta-feira (3) e classificou como “crítica” a situação da chikungunya no município, com maior impacto nas aldeias indígenas. Durante a visita, ele cobrou diretamente a prefeitura pela falta de coleta de lixo nas comunidades, apontando o problema como um dos principais fatores para a proliferação do mosquito Aedes aegypti.
A cobrança foi direcionada à gestão municipal diante do acúmulo de lixo nas aldeias, especialmente na Reserva Indígena de Dourados, onde estão as aldeias Bororó e Jaguapiru. Segundo o ministro, as comunidades precisam ser atendidas com o mesmo padrão de serviços oferecido ao restante da cidade.
“Temos que aperfeiçoar a questão dos resíduos sólidos, do lixo. É preciso atender de igual forma as comunidades indígenas”, afirmou.
Dourados enfrenta uma epidemia de chikungunya, com concentração de casos nas aldeias indígenas. Entre as vítimas estão dois bebês, cujas mortes foram registradas em meio ao avanço da doença nas comunidades.
Durante a agenda, o ministro reforçou que a reserva indígena está inserida na área urbana do município, o que amplia a responsabilidade da prefeitura na coleta de lixo e na manutenção dos serviços básicos de limpeza.
Além da cobrança, o governo federal anunciou medidas emergenciais para conter o avanço da doença. Ao todo, cerca de R$ 3,1 milhões já foram destinados para ações em Dourados, com foco em assistência humanitária, limpeza urbana e vigilância em saúde.
Os recursos estão divididos em três frentes: aproximadamente R$ 1,3 milhão para assistência à população, R$ 974 mil para ações de limpeza e remoção de lixo e R$ 855 mil voltados à vigilância epidemiológica e controle da chikungunya.
O ministro destacou que os valores já foram repassados e que cabe aos entes locais executar as ações necessárias para enfrentar a crise sanitária.
Como parte da resposta emergencial, foi montada uma força-tarefa com atuação direta nas aldeias. A operação inclui a contratação de 50 agentes de combate a endemias, além do envio de equipes da Força Nacional do SUS, profissionais da saúde indígena e apoio de cerca de 40 militares das Forças Armadas.
As equipes atuam principalmente nas aldeias Bororó e Jaguapiru, onde há maior incidência da doença e necessidade de ações imediatas para eliminar criadouros do mosquito.
Também foi anunciada a distribuição de cerca de 6 mil cestas de alimentos para famílias indígenas afetadas pela crise, além de medidas estruturais em estudo, como melhorias no abastecimento de água nas comunidades.
Autoridades de saúde afirmam que o cenário ainda é instável e que o monitoramento segue sendo feito diariamente, com prioridade para os casos mais graves.
A visita do ministro incluiu reuniões com lideranças indígenas, técnicos da saúde e autoridades locais, além de agenda no Hospital Universitário da Grande Dourados, que tem recebido parte dos pacientes em estado mais grave.
Dourados está em situação de emergência em saúde pública desde o fim de março, após aumento acelerado dos casos de chikungunya, especialmente nas aldeias indígenas, onde se concentram a maior parte das infecções e todas as mortes registradas até o momento.