A Secretaria de Estado de Saúde começou na semana passada uma força-tarefa com a Defesa Civil para tentar conter o avanço da chikungunya em Dourados, cidade que concentra parte dos casos mais graves da doença em Mato Grosso do Sul. A ação reúne vigilância, assistência, mobilização comunitária e reforço no combate a criadouros do mosquito, com prioridade para bairros e comunidades mais atingidos. Para Dourados, o plano estadual prevê 43.530 doses da vacina dentro de uma remessa total de 46.530 doses destinadas também a Itaporã.
O movimento do Estado ocorre em meio ao agravamento do cenário da doença. Boletim epidemiológico divulgado pela SES em 1º de abril apontou 3.657 casos prováveis e 1.764 casos confirmados de chikungunya em Mato Grosso do Sul, além de sete mortes confirmadas. Dourados aparece entre os municípios mais pressionados pela epidemia.
Pela estratégia anunciada pela secretaria, serão montadas salas de situação, feito planejamento conjunto com o município e enviado apoio técnico para reforçar as ações locais. A Defesa Civil Estadual deve atuar diretamente em campo com mutirão ampliado, incluindo visitas domiciliares, identificação de áreas mais críticas e orientação à população. O trabalho também prevê articulação com lideranças comunitárias para facilitar o acesso das equipes, especialmente em regiões mais vulneráveis e em áreas indígenas.
Entre as medidas previstas estão visitas em todas as residências das áreas prioritárias, eliminação de criadouros, limpeza de espaços e apoio técnico contínuo ao município. A operação também conta com reforço da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, que deve ampliar a capacidade de resposta do Estado nas ações já em andamento.
Outro foco da força-tarefa é o controle da água armazenada, considerada uma das principais portas para a proliferação do Aedes aegypti. As equipes estudam a viabilidade de distribuir água tratada e também fazer tratamento direto em reservatórios já existentes. A orientação do Estado é manter caixas d’água e outros recipientes sempre vedados para evitar novos focos do mosquito.
Além do trabalho em campo, o Estado também reforçou a estrutura de atendimento em Dourados. Segundo a SES, o Hospital Regional de Dourados recebeu 15 leitos exclusivos para pacientes com chikungunya, sendo 10 para adultos e 5 pediátricos. A secretaria afirma ainda que mantém monitoramento diário dos indicadores, apoio laboratorial por meio do Lacen e ações como fumacê, borrifação e envio de equipamentos para o controle do vetor.
Na frente da vacinação, Dourados foi incluída na estratégia piloto nacional contra a chikungunya. Das 46.530 doses previstas para a região, 43.530 devem ficar com o município e 3 mil com Itaporã. A aplicação ainda depende da organização das etapas locais e do alinhamento com as diretrizes nacionais.
A SES também passou a investir na capacitação de profissionais para atendimento aos casos, com foco em diagnóstico mais rápido, manejo clínico adequado e redução de complicações. A orientação à população é eliminar água parada e procurar atendimento médico ao surgimento de sintomas como febre alta, dores intensas nas articulações, dor de cabeça e manchas pelo corpo.