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Flávio Bolsonaro desembarca no MS esta semana para fortalecer base aliada

Senador antecipou viagem e terá encontros com o presidente do PL/MS Reinaldo Azambuja e o governador do estado Eduardo Riedel

06/04/2026 às 15h22 Atualizada em 07/04/2026 às 11h12
Por: Marcelo Tognini
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Flávio Bolsonaro e Reinaldo Azambuja articulam agenda política em Mato Grosso do Sul durante visita à Expogrande
Flávio Bolsonaro e Reinaldo Azambuja articulam agenda política em Mato Grosso do Sul durante visita à Expogrande

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarca em Campo Grande nesta quinta-feira (9) para participar da cerimônia de abertura da 86ª Expogrande, no Parque de Exposições Laucídio Coelho. A passagem marca a primeira agenda do parlamentar em Mato Grosso do Sul desde que se tornou pré-candidato à Presidência da República pelo PL, e ocorre em meio a uma disputa interna do partido por duas vagas ao Senado no Estado.

A vinda foi confirmada pelo presidente estadual do PL, o ex-governador Reinaldo Azambuja, que declarou ao Correio do Estado ter recebido a confirmação por telefone do próprio senador. A agenda original previa a visita para o dia 14 de abril, mas Flávio antecipou a data para coincidir com o primeiro dia da feira agropecuária, evento que reúne produtores rurais, empresários e autoridades de todo o Estado.

A antecipação não é casual. A abertura da Expogrande concentra a atenção do setor produtivo e garante maior exposição política. A Acrissul, organizadora da feira, projeta movimentação superior aos R$ 641 milhões registrados na edição de 2025, com expectativa de receber cerca de 100 mil visitantes ao longo dos 11 dias de programação. São mais de 250 expositores, 24 leilões de animais e um novo pavilhão tecnológico com 40 startups do agronegócio. Associar a pré-campanha a esse ambiente permite ao senador falar diretamente a um eleitorado que, historicamente, sustenta candidaturas de direita no Centro-Oeste.

Além da feira, Flávio Bolsonaro deve cumprir encontros políticos com lideranças locais. A articulação envolve Azambuja e o governador Eduardo Riedel (PP), aliados que compõem o bloco de sustentação do PL no Estado. A reunião entre os três já havia sido costurada em Brasília semanas antes com o objetivo de manter o acordo político que prevê apoio do grupo bolsonarista à reeleição de Riedel e, em contrapartida, a garantia de palanque unificado para a campanha presidencial.

A visita, porém, carrega uma segunda camada de interesse: a tentativa de conter a disputa interna do PL pelas duas cadeiras do Senado em jogo em outubro. Quatro nomes do partido se apresentam como pré-candidatos. Azambuja lidera as pesquisas de intenção de voto, com índices que variam de 19% a 36%, dependendo do instituto e da modalidade consultada. O ex-deputado estadual Capitão Contar aparece em segundo, com números entre 17% e 20%. O deputado federal Marcos Pollon, apadrinhado por Jair Bolsonaro por meio de uma carta divulgada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, não conseguiu até o momento converter o apoio do ex-presidente em tração eleitoral: pesquisas do IPR e do Novo Ibrape o colocam na lanterna, com percentuais entre 4% e 6%. A vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, completa o quadro de postulantes.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a avaliação predominante na direção do PL é de que a chapa ao Senado será composta por Azambuja e Contar, a despeito do gesto público de Bolsonaro em favor de Pollon. O bilhete do ex-presidente, que cumpre pena por tentativa de golpe de Estado, foi recebido internamente como um aceno à base mais fiel, sem efeito vinculante sobre a montagem da chapa. Flávio teria prometido a Azambuja que pesquisas de opinião serão o critério final para definir os dois nomes.

A passagem por Campo Grande também responde a uma lógica de contraponto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve na capital sul-mato-grossense em 22 de março, quando participou da abertura da COP15 e oficializou o deputado federal Fábio Trad como pré-candidato petista ao governo do Estado. Flávio será, portanto, o segundo presidenciável a pisar em MS em 2026, numa sequência que transforma o Estado em vitrine das duas polaridades eleitorais que devem dominar a campanha nacional.

Na Assembleia Legislativa, a vinda do senador já produz reflexos. O deputado estadual Pedro Kemp (PT) apresentou moção de repúdio a um discurso de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, no qual, segundo o petista, o pré-candidato teria prometido entregar recursos minerais estratégicos ao governo americano. Na direção oposta, o deputado Coronel David (PL) protocolou pedido de título de visitante ilustre ao senador na Alems. A Câmara Municipal de Campo Grande já aprovou honraria semelhante, por 23 votos a 2, em sessão realizada no dia 1º de abril, com oposição apenas dos vereadores petistas Jean Ferreira e Landmark Rios.

No plano nacional, a composição da chapa presidencial permanece indefinida. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tem defendido publicamente o nome da senadora Tereza Cristina (PP-MS) como candidata a vice. A parlamentar, ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, declarou em entrevista à revista Veja sentir-se “honrada” e “preparada” para a eventual indicação, mas ressalvou que a decisão não cabe a ela. Nos bastidores, o nome enfrenta resistência de Eduardo Bolsonaro, e a própria Tereza Cristina já havia negado, em março, a existência de qualquer tratativa formal. Outros nomes mencionados para o posto incluem o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio.

A Expogrande, que se estende até 19 de abril, funcionará como termômetro da receptividade do eleitorado rural ao projeto do PL. A rede hoteleira de Campo Grande já registra ocupação média de 70% para o período, impulsionada também pelo show do Guns N’ Roses, agendado para o mesmo dia 9 no Autódromo Internacional. As convenções partidárias, previstas para julho, definirão os nomes que irão às urnas. Até lá, a disputa interna do PL por duas cadeiras no Senado e a indefinição sobre a vice-presidência seguem como testes à capacidade de Flávio Bolsonaro de manter coeso, em Mato Grosso do Sul, o bloco que pretende liderar nacionalmente.

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