
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarca em Campo Grande nesta quinta-feira (9) para participar da abertura da 86ª Expogrande, no Parque de Exposições Laucídio Coelho. A visita, confirmada pelo presidente estadual do PL, Reinaldo Azambuja, marca a primeira agenda do parlamentar em Mato Grosso do Sul desde que se lançou como pré-candidato à Presidência da República e ocorre em meio a disputas internas no partido e articulações nacionais.
Inicialmente prevista para o dia 14 de abril, a agenda foi antecipada pelo próprio senador para coincidir com a abertura da feira agropecuária, movimento considerado estratégico para ampliar a exposição política. A abertura concentra a presença de produtores, empresários e lideranças do setor, público diretamente ligado ao eleitorado que tradicionalmente sustenta candidaturas de direita no Centro-Oeste.
A Expogrande segue até o dia 19 de abril e deve reunir cerca de 100 mil visitantes ao longo da programação, com mais de 250 expositores, 24 leilões de animais e um pavilhão tecnológico com participação de startups do agronegócio. A expectativa é superar os R$ 641 milhões movimentados na edição anterior, consolidando o evento como uma das principais vitrines econômicas e políticas do Estado.
Além da participação na feira, Flávio Bolsonaro deve cumprir agenda política com lideranças locais. A articulação envolve Reinaldo Azambuja e o governador Eduardo Riedel (PP), com quem já houve alinhamento prévio em Brasília. O objetivo é manter o acordo político que prevê apoio do grupo bolsonarista à reeleição de Riedel e, em contrapartida, a formação de um palanque unificado para a campanha presidencial no Estado.
Nos bastidores, a visita ocorre em meio à disputa interna do PL pelas duas vagas ao Senado em 2026. Quatro nomes aparecem no cenário: Reinaldo Azambuja, o ex-deputado estadual Capitão Contar, o deputado federal Marcos Pollon e a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira.
Levantamentos de intenção de voto colocam Azambuja na liderança, com índices que variam entre 19% e 36%. Capitão Contar aparece na sequência, com cerca de 17% a 20%. Já Pollon, apesar do apoio público de Jair Bolsonaro, ainda registra desempenho menor, com percentuais entre 4% e 6%, segundo institutos como IPR e Novo Ibrape.
Nos bastidores do partido, a avaliação predominante é de que a chapa ao Senado deve ser formada por Azambuja e Contar, embora a definição final ainda dependa de pesquisas. Flávio Bolsonaro teria sinalizado que os levantamentos eleitorais serão o critério decisivo para escolha dos nomes, em uma tentativa de conter disputas internas e manter o grupo coeso.
A visita também se insere no cenário nacional da pré-campanha. Mato Grosso do Sul passou a ganhar relevância após a passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por Campo Grande, em março, quando participou de agendas oficiais e reforçou a presença do partido no Estado. Com a ida de Flávio, o Estado passa a receber, em sequência, nomes ligados às duas principais forças políticas que devem polarizar a disputa presidencial.
Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), a chegada do senador já provocou reação. O deputado Coronel David (PL) apresentou proposta para conceder o título de visitante ilustre a Flávio Bolsonaro. Em sentido contrário, o deputado Pedro Kemp (PT) protocolou moção de repúdio, citando declarações do senador em agenda internacional.
Na Câmara Municipal de Campo Grande, uma homenagem semelhante já foi aprovada no início do mês, por ampla maioria, com votos contrários apenas de vereadores do PT.
No plano nacional, a composição da chapa presidencial ainda está indefinida. O nome da senadora Tereza Cristina (PP-MS) é defendido por parte da direção do PL para a vaga de vice, mas não há definição oficial. Outros nomes também são citados nos bastidores, e a decisão deve ser tomada apenas nas convenções partidárias, previstas para julho.
Com a concentração de agendas políticas, disputa interna no PL e presença de lideranças nacionais, a Expogrande 2026 passa a funcionar como um dos primeiros termômetros da corrida eleitoral no Mato Grosso do Sul.