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MP cobra mudança total após controladoria passar um ano sem fiscalizar prefeitura em MS

Órgão não produziu relatórios nem apurou denúncias ao longo de 2025 e pode levar gestores a responder por improbidade

10/04/2026 às 14h58 Atualizada em 13/04/2026 às 09h02
Por: João Paulo Ferreira
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MPMS recomendou reestruturação completa da controladoria de Dois Irmãos do Buriti após órgão não realizar auditorias nem apurar denúncias em 2025
MPMS recomendou reestruturação completa da controladoria de Dois Irmãos do Buriti após órgão não realizar auditorias nem apurar denúncias em 2025

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) recomendou a reestruturação completa da Controladoria Interna da Prefeitura de Dois Irmãos do Buriti após constatar que o órgão passou todo o ano de 2025 sem exercer sua função básica de fiscalização. A recomendação foi formalizada por meio do documento nº 0001/2026.

De acordo com a apuração, a controladoria não produziu relatórios de auditoria nem instaurou procedimentos para apurar denúncias durante o período. Na prática, o órgão responsável por fiscalizar a gestão pública municipal não atuou.

O MP também identificou problemas estruturais. A controladoria funciona com equipe reduzida, sem carreira própria de auditoria e com cargos ocupados por indicação, o que compromete a independência técnica do setor. O controlador é nomeado diretamente pelo prefeito, sem garantias de autonomia.

Na recomendação, o Ministério Público determina a criação de uma estrutura mínima para funcionamento efetivo do controle interno. Entre as medidas exigidas estão a instituição de cargos efetivos, formação de equipe técnica qualificada, capacitação de servidores e implantação de sistemas de auditoria e transparência.

O órgão também orienta que a função de controlador seja exercida, preferencialmente, por servidor concursado com formação específica na área.

O MPMS alerta que o descumprimento das medidas pode resultar em ações judiciais. A omissão na fiscalização pode ser interpretada como conduta dolosa e enquadrada como improbidade administrativa, com risco de responsabilização dos gestores.

A atuação faz parte de um movimento mais amplo do Ministério Público para cobrar a estruturação de controladorias municipais em Mato Grosso do Sul. Em outras cidades, como Rio Negro, Corguinho e Rochedo, já foram identificados problemas semelhantes, com órgãos que funcionam sem equipe técnica adequada ou sem produção de auditorias.

Além desse caso, o MP também instaurou procedimentos para investigar a transparência na aplicação de recursos públicos no município, incluindo o uso de emendas parlamentares.

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