
A Prefeitura de Corumbá abriu licitação para contratar uma instituição financeira responsável por operar a folha de pagamento de cerca de 4,8 mil servidores públicos municipais. O processo prevê um contrato de cinco anos e tem valor estimado mínimo de R$ 9,8 milhões, que será pago pelo banco vencedor ao município pelo direito de administrar os salários.
A sessão pública está marcada para o dia 28 de abril de 2026, com recebimento de propostas até a manhã da mesma data. O edital foi disponibilizado no Portal da Transparência e na plataforma da Bolsa de Licitações.
Na prática, o município está colocando em disputa a chamada “venda da folha”, modelo em que bancos concorrem oferecendo valores para assumir a operação dos pagamentos. O critério de escolha será o de maior oferta: vence a instituição que pagar mais à prefeitura.
O banco contratado ficará responsável por toda a gestão da folha, incluindo o processamento dos salários de servidores ativos, aposentados e pensionistas, além da abertura e manutenção das contas-salário. O contrato também permite que a instituição opere pagamentos relacionados à administração municipal e ofereça crédito consignado aos servidores, ainda que sem exclusividade nesse caso.
O acordo terá duração de 60 meses, com possibilidade de prorrogação conforme a legislação. Durante esse período, a prefeitura fica vinculada à instituição financeira escolhida, que passa a concentrar a relação bancária com milhares de servidores.
Dividido ao longo dos cinco anos, o valor mínimo de R$ 9,8 milhões representa cerca de R$ 1,96 milhão por ano. Considerando o total de servidores envolvidos, o contrato equivale a aproximadamente R$ 408 por servidor ao ano — indicador que ajuda a dimensionar quanto o banco está disposto a investir para ter acesso a essa base de clientes.
Um ponto que chama atenção é a redução no valor estimado em comparação com licitação anterior. Em 2025, a própria Prefeitura de Corumbá havia colocado em disputa um contrato semelhante com valor estimado em R$ 14 milhões para a mesma finalidade. Agora, o montante caiu para R$ 9,8 milhões.
O modelo de contratação é comum em prefeituras e governos estaduais, justamente porque gera receita imediata para o caixa público. Em contrapartida, o banco passa a ter acesso direto a milhares de clientes, com potencial de retorno por meio de serviços financeiros, tarifas e oferta de crédito.
Corumbá já adota esse sistema há anos. Em contrato anterior, a folha chegou a ser operada por instituição privada após processo licitatório. Com a nova concorrência, bancos públicos e privados podem disputar novamente o controle da folha.