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Marçal corta valor do plantão médico, decreta calamidade mas quer torrar quase meio milhão com festa junina

Prefeitura saiu de emergência para calamidade em um mês, teve emendas bloqueadas pelo TCE-MS por subfinanciar a saúde e corta o pagamento dos plantões em meio à pior epidemia dos últimos anos.

21/04/2026 às 13h10
Por: Redação
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Marçal corta valor do plantão médico, decreta calamidade mas quer torrar quase meio milhão com festa junina

O prefeito de Dourados, Marçal Filho (PSDB), decretou nesta segunda-feira (20) situação de calamidade em saúde pública diante do avanço da chikungunya. O Decreto nº 638/2026, com validade de 90 dias, admite, na prática, o colapso da rede assistencial do município.

O texto se apoia em números que expõem o tamanho da crise. São 6.186 casos prováveis da doença, taxa de positividade de 64,9% e ocupação dos leitos de internação em cerca de 110%, acima da capacidade instalada. Dourados concentra oito dos doze óbitos por chikungunya registrados em Mato Grosso do Sul em 2026, entre eles dois bebês e, desde 16 de abril, a primeira morte em área urbana. Outros dois casos seguem em investigação, incluindo o de um menino indígena de 12 anos e o de um homem de 84 anos.

Somente nos últimos dez dias, o município saltou da sexta para a oitava morte confirmada. A vítima mais recente é um homem de 63 anos, morador do bairro Parque das Nações 2, que apresentou os primeiros sintomas em 7 de abril e morreu em 13 de abril. Os demais óbitos confirmados incluem idosos de 55, 60, 69, 73 e 77 anos, todos da Reserva Indígena de Dourados.

A calamidade é o terceiro decreto editado em um mês. O primeiro, de 20 de março, declarou emergência em saúde pública e foi homologado pela União em 30 de março. Em 31 de março, Marçal criou o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), sob o comando do secretário municipal de Saúde, Márcio Grey Figueiredo. Nem isso impediu a piora do quadro.

O cenário se agrava por decisões da própria gestão. Em 31 de março, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) suspendeu a execução de emendas parlamentares individuais em Dourados. Em decisão do conselheiro Osmar Domingues Jeronymo, o tribunal constatou que o município aplicou apenas 40% desses recursos na saúde, descumprindo o piso constitucional de 50%. A suspensão vale até a regularização do percentual.

A rede de urgência também será esvaziada em plena epidemia. A partir de 5 de maio, a empresa Equipe Group, sediada em Londrina (PR), assume os plantões das áreas verde e vermelha do Hospital da Vida e da porta de entrada da Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A contratação foi feita pela Fundação de Serviços de Saúde de Dourados (Funsaud) após pregão realizado em 3 de novembro de 2025.

Pelo menos 60 médicos devem deixar as unidades após o novo contrato reduzir os valores pagos por plantão, que caem de R$ 1.050 a R$ 1.250 líquidos para uma faixa de R$ 750 a R$ 850 brutos, podendo chegar a R$ 660 líquidos. Sobre a debandada, Figueiredo disse ao Campo Grande News que 95% dos profissionais recusaram a proposta de continuidade e que a troca representa economia de 25%.

O impasse já chegou à Câmara Municipal. O vereador Inspetor Cabral (PSD) subiu à tribuna para cobrar explicações sobre o processo licitatório. Em 13 de abril, faixas apócrifas foram afixadas em diferentes pontos da cidade contra a mudança e retiradas no mesmo dia por funcionários da prefeitura.

Enquanto a saúde desmorona, a prefeitura encontrou espaço no orçamento para a festa. Em 16 de abril, publicou o Edital de Chamamento Público nº 002/2026, que reserva até R$ 448 mil para a organização da 47ª Festa Junina de Dourados, por meio da Secretaria Municipal de Cultura. As propostas serão recebidas até 15 de maio. O evento está marcado para 5, 6 e 7 de junho.

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