Dourados concentra quase metade das mortes por chikungunya registradas no Brasil em 2026. Até os últimos dados disponíveis, de 17 de abril, o município somava 8 dos 19 óbitos confirmados no país, o que representa 42% do total nacional, segundo dados apurados junto a levantamentos de veículos de imprensa e boletins oficiais.
Além da alta letalidade, a cidade também enfrenta um avanço acelerado da doença. Já são cerca de 5 mil casos prováveis, com uma incidência de 2.037 registros por 100 mil habitantes — índice quase sete vezes superior ao patamar considerado epidêmico.
O cenário tem pressionado fortemente a rede pública de saúde. Somente na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), o volume de atendimentos chega a aproximadamente 449 pacientes por dia, número acima da capacidade habitual e que evidencia a sobrecarga do sistema.
Entre as vítimas da doença estão indígenas, incluindo bebês, o que reforça o impacto da epidemia em populações mais vulneráveis. Desde o início do surto, a maior parte dos casos graves e mortes se concentrou nas aldeias da região, antes de avançar para a área urbana.
Diante da escalada da crise, a Prefeitura de Dourados decretou estado de calamidade pública em saúde no dia 20 de abril. A medida permite a adoção de ações emergenciais, como contratações diretas e ampliação de serviços.
Paralelamente, o Governo do Estado abriu 15 novos leitos no Hospital Regional de Dourados para reforçar o atendimento aos pacientes. Já o governo federal iniciou uma estratégia de vacinação emergencial no município, escolhido como área piloto para aplicação das doses.