Saúde GESTÃO MARÇAL FILHO
Dourados concentra quase metade das mortes por chikungunya no Brasil
Município responde por 42% dos óbitos no país, soma cerca de 5 mil casos prováveis e registra incidência quase sete vezes acima do nível epidêmico
24/04/2026 16h25 Atualizada há 2 meses
Por: João Paulo Ferreira
UPA de Dourados registra cerca de 449 atendimentos por dia em meio à epidemia de chikungunya que já concentra quase metade das mortes do país

Dourados concentra quase metade das mortes por chikungunya registradas no Brasil em 2026. Até os últimos dados disponíveis, de 17 de abril, o município somava 8 dos 19 óbitos confirmados no país, o que representa 42% do total nacional, segundo dados apurados junto a levantamentos de veículos de imprensa e boletins oficiais.

Além da alta letalidade, a cidade também enfrenta um avanço acelerado da doença. Já são cerca de 5 mil casos prováveis, com uma incidência de 2.037 registros por 100 mil habitantes — índice quase sete vezes superior ao patamar considerado epidêmico.

O cenário tem pressionado fortemente a rede pública de saúde. Somente na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), o volume de atendimentos chega a aproximadamente 449 pacientes por dia, número acima da capacidade habitual e que evidencia a sobrecarga do sistema.

Entre as vítimas da doença estão indígenas, incluindo bebês, o que reforça o impacto da epidemia em populações mais vulneráveis. Desde o início do surto, a maior parte dos casos graves e mortes se concentrou nas aldeias da região, antes de avançar para a área urbana.

Diante da escalada da crise, a Prefeitura de Dourados decretou estado de calamidade pública em saúde no dia 20 de abril. A medida permite a adoção de ações emergenciais, como contratações diretas e ampliação de serviços.

Paralelamente, o Governo do Estado abriu 15 novos leitos no Hospital Regional de Dourados para reforçar o atendimento aos pacientes. Já o governo federal iniciou uma estratégia de vacinação emergencial no município, escolhido como área piloto para aplicação das doses.