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Lei sobre banheiros é denunciada ao MP horas após sanção em Campo Grande

Representação aponta discriminação e questiona constitucionalidade da norma publicada no dia 23

24/04/2026 às 16h36 Atualizada em 25/04/2026 às 12h39
Por: João Paulo Ferreira
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Lei municipal que restringe uso de banheiros por identidade de gênero foi sancionada na última quinta (23) e já é alvo de denúncia no Ministério Público de Mato Grosso do Sul
Lei municipal que restringe uso de banheiros por identidade de gênero foi sancionada na última quinta (23) e já é alvo de denúncia no Ministério Público de Mato Grosso do Sul

Uma denúncia formal contra a Prefeitura de Campo Grande foi protocolada no Ministério Público de Mato Grosso do Sul poucas horas após a sanção da lei que restringe o uso de banheiros femininos a mulheres biológicas na Capital. O registro ocorreu na quinta-feira (23), mesmo dia em que a norma entrou em vigor.

A representação foi apresentada na 67ª Promotoria de Justiça e questiona a constitucionalidade da lei, além de apontar possíveis crimes de racismo, discriminação e homofobia. O documento também sustenta que a medida viola princípios constitucionais, como a dignidade da pessoa humana.

A denúncia é assinada por uma advogada trans e formalizada como notícia-crime. O caso será analisado pelo promotor responsável, que poderá decidir pela abertura de investigação ou adoção de outras medidas legais.

A Prefeitura informou que ainda não foi oficialmente notificada sobre a ação, mas afirmou que o tema será avaliado pelas instâncias técnicas do município.

A lei questionada foi sancionada pela prefeita Adriane Lopes após aprovação apertada na Câmara Municipal, por 13 votos a 11. O texto estabelece que banheiros femininos devem ser utilizados apenas por mulheres biológicas, dentro da chamada Política Municipal de Proteção da Mulher.

A proposta já havia provocado debate intenso durante a tramitação no Legislativo, com divergência entre vereadores sobre direitos individuais e critérios biológicos para acesso a espaços públicos.

No âmbito jurídico, o tema ainda é objeto de discussão em instâncias superiores. Há ações no Supremo Tribunal Federal que tratam do direito de pessoas trans utilizarem banheiros de acordo com a identidade de gênero, o que pode influenciar diretamente a validade de legislações municipais sobre o assunto.

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