Educação EDUCAÇÃO
Professores pressionam Câmara de Coxim e vereadores adiam votação de reajuste de 2,89%
Mobilização barra urgência em projeto abaixo do piso nacional e categoria ameaça paralisação
29/04/2026 11h35 Atualizada há 2 meses
Por: João Paulo Ferreira
Profissionais da educação protestaram na Câmara de Coxim contra reajuste de 2,89% proposto pela prefeitura e abaixo do piso nacional

Profissionais da educação de Coxim pressionaram vereadores na manhã da última terça-feira (28) e conseguiram adiar a votação, em regime de urgência, do projeto de lei que prevê reajuste salarial de 2,89% para a categoria. O índice é inferior aos 5,4% definidos pelo piso nacional do magistério e motivou mobilização dentro da Câmara Municipal.

O ato foi organizado pelo Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação (SIMTED) e ocorreu durante a sessão legislativa. Diante da pressão, o presidente da Câmara, vereador Luiz Eduardo, anunciou que o projeto não seria votado em caráter de urgência, abrindo prazo para debate.

A mobilização na Câmara foi precedida por protesto realizado na segunda-feira (27), em frente à Prefeitura. Segundo informações de veículos locais, cerca de 250 profissionais participaram do ato, o que representa aproximadamente metade da categoria no município.

Os trabalhadores afirmam que o percentual proposto não apenas fica abaixo do índice nacional, como também representa perda salarial real. Isso porque o reajuste é inferior à inflação registrada no período, estimada em 4,26%, segundo dados citados nas manifestações.

Durante o protesto, a presidente do SIMTED Coxim, Mara Núbia, afirmou que a reivindicação envolve o cumprimento de direitos previstos na legislação. “O piso nacional não é um favor, é um direito garantido. Qualquer medida abaixo disso representa retrocesso”, declarou.

A categoria também aponta que a discussão vai além do reajuste anual. Entre as demandas estão a revisão do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR), a realização de concurso público — que não ocorre há cerca de uma década — e a redução do número de profissionais contratados. Segundo o sindicato, mais de 70% da rede municipal atua sem estabilidade.

O piso nacional do magistério em 2026 é de R$ 5.130,63 para jornada de 40 horas semanais. A prefeitura, por sua vez, sustenta que o reajuste proposto é suficiente para garantir o cumprimento do valor mínimo e afirma que a definição considerou limites fiscais do município, com objetivo de manter o equilíbrio das contas públicas.

O projeto foi encaminhado pelo prefeito Edilson Magro (PP) e segue em tramitação na Câmara Municipal. A retirada da urgência não representa rejeição da proposta, mas amplia o prazo para negociação entre o Executivo, vereadores e a categoria.

Os profissionais da educação afirmam que seguem mobilizados e não descartam paralisação caso não haja avanço nas negociações.